É recém totalista do Euromilhões, herdeiro de uma fortuna recentemente
desvendada, ou qualquer outra pessoa com uma avultada quantia de dinheiro?
Se é, estas dicas são para si. Se não se enquandra em nenhum dos perfis
descritos anteriormente, não desanime, já somos muitos!
Deparo-me diversas vezes com pessoas, amigos, conhecidos e até
desconhecidos, sempre com a frase mais usual quando o tema "euromilhões"
é abordado... "Ai, eu não sei o que faria com tanto dinheiro..." Pois
caros leitores, esta é a resposta ás vossas preces, o Esgoto de Ideias
sugere-vos como o fazer.
Comecem por colocar entre 30 a 50% do capital aplicado.
Ajudem quem já vos ajudou em tempos, não esquecendo como é óbvio, a família.
Trate de mudar de número de telemóvel, esqueçam toda a vossa lista de contactos.
Mantenham apenas contacto com quem sempre se preocupou consigo, principalmente nos maus momentos.
Digo isto porque se não fôr suficientemente discreto, verá pessoas que pensou terem imigrado, de um momento para o outro se lembrarem de si...
Trate de comprar uma casa em cada Continente (numa primeira fase).
Contrate dois amigos especializados em cobranças difíceis, conte com eles para eventuais problemas.
Não case em comunhão de bens adquiridos, não vá o Diabo tecer...
Tendo estes tópicos alinhavados, segue-se a fase mais importante do que fazer com o seu dinheiro, neste caso, o que resta dos 50%.
Lamborghini, Ferrari, Porsche, Aston Martin, Maseratti, Rolls Royce, Bentley e tudo o que cheire a estofos em pele cosidos á mão serão nesta altura
o mais acertado a comprar. Pode esquecer tudo o que sempre sonhou. Mercedes? Audi? BMW? Isso é coisa de construtor cívil. Não se preocupe com o preço dos
combustiveis, esses serão o mínimo dos gastos.
Las Palmas, Ibiza, Benidorm, são destinos a evitar. Não pense em ir de férias... Pense que o resto da sua vida será férias. Isso mesmo, leu bem!
Pequeno-almoço em Paris, almoço em Londres, jantar em Roma? Parece-lhe bem? Também a nós.
Seja você mesmo, cheios de "novos ricos" andamos nós fartos. Não pense em ir matar o bichinho ao KFC com sapatos de verniz, calças vermelhas, e camisa com lantejoulas.
Porquê chegar ao bar da moda no seu novo Maseratti quando o pode fazer de helicóptero?
Jarvas ou Tomé, são os nomes que deve adoptar ao contractar um mordomo que esteja á sua disposição 24 horas por dia.
Esqueça relógios, não vai ter tempo sequer para olhar para eles com tanto dinheiro que tem para gastar!
Mistura fina de coisas que nos vêm à cabeça, envolvido por situações reais e com um pequeno toque de nada que se aproveite...
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Fatura?...
Por vezes é impossível contornar
o mal. Evitar o erro dos outros. Que um amigo esmurre a cabeça na parede. Quantas
vezes já avisei: Não vás por ai, não
adiantando de nada. Quantas vezes já me avisaram: Por ai vais-te enterrar, mesmo assim, lá fui eu para o
auto-enterro. Faz parte da vida, do crescimento, ou do que lhe queiram chamar.
No entanto, quando falo desta incapacidade
para reverter o mal dos outros, estou a falar do mal por mal, do erro consciente,
deliberado e propositado. Não no erro da inocência, como quando uma criança mete
a mão no fogo, por não saber que queima. O que pretendo falar é sobre outra
coisa e sobre as implicações reais desse comportamento nato. Para isso, dar-vos-ei
um exemplo pessoal.
Desde tenra idade fui um aluno medíocre,
preguiçoso e pouco maduro para poder atingir certas matérias. Como resultado as
negativas sempre se acumularam. Passei sempre de ano com duas ou três
negativas. A português, a matemática e a inglês era um “0-“ (zero à esquerda). E
isto desde a quarta classe.
Lembro-me perfeitamente das minhas
primeiras negas, minha mãe ficou tão desiludida que me deu um enxerto de
porrada. Ok, até pode não ter sido um “enxerto”, mas como qualquer criança com
9 anos de idade maximizei o acontecimento. Por isso, o pouco pareceu muito.
A partir dai, sempre que
apresentava uma negativa, minha mãe gritava, berrava, ralhava e eu ganhava umas
bofetadas. Independentemente disto, continuava a minha má progressão escolar. Apesar
da minha mãe, pelo reforço negativo, me tentar fazer bom aluno, não conseguiu. Aliás,
a certa altura comecei a mentir sobre os testes e a esconde-los. Ou seja, a
situação piorou.
Cá está, o ponto fulcral do que
quero transmitir. Eu, mesmo sabendo que fazia mal em mentir, preferia-o em vez
das estaladas. E, por mais que alguém me viesse dizer para não mentir,
continuaria na mesma. Faz parte da natureza humana, escolher uma desprazer
menor para evitar um desprazer maior. Levando o exemplo ao extremo, é matar
para não ser morto.
Chegando onde quero, à política.
Imaginem o governo como a minha mãe e o povo como eu. O governo bate nos
contribuintes, aumenta os impostos, corta suicídios, corta aqui, corta ali. Famílias
desempregadas, dividas acumuladas, empresas fecham, ordenado diminui, preços
aumentam. Ainda por cima, a maioria dos contribuintes sente que não mereceu por
tal estalada. Então, o que é que o povo (como eu quando criança) faz? Exatamente,
mentir e esconder.
Por isso, senhores políticos, bem-vindos
à corrupção que tentaram diminuir, ao trabalho clandestino, à obscuridade. Se é
com fatura ou sem fatura, já não será preciso perguntar, aliás, já não é.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Quem é que nos fodeu a todos?
Já que está tudo a falar de
Crise, Troika, Passos Coelho, TSU, Orçamento de Estado, do habitual Está Tudo
Fudido, eu pensei, porque não eu escrever sobre estas merdas, possa ser que o
pessoal finalmente se interesse a ler os meus textos.
Ah? Que tal a ideia?
Sendo assim, passando à frente da
minha própria crise pessoal de ideias, palavras e criatividade, passo a
perguntar: quem é que nos fodeu a todos?
E é aqui, neste busílis, que
tropeço vezes sem conta. Neste engodo entrelaçado de ladainha politica que a
televisão me chuta todos os dias, quando sucessões de governos se defendem
culpando o governos anteriores a si pelo sucedido, quando políticos repetem discursos,
mentiras, comportamentos, atuações, posturas, ideias, falácias, etc, etc, etc. Falam
mal disto e daquilo e daqueloutro. E soluções? Onde?
Bem, depois de ouvir esta cagada toda,
da qual já estou cansado, mesmo só tendo 28 anos, depois de me arrancarem a fé
no futuro, depois de desesperar com a Crise e ver o orçamento pessoal a ficar
reduzido, depois de ter vendido o carro, porque o autocarro é mais barato, passamos
para outro ato televisivo surreal, os anúncios da Cofidis. Aqui, apresenta-se
uma senhora, bonita, meia-idade, classe média-alta, a dizer que fez um crédito
na Cofidis. E com que objetivo fez esse crédito? Ora, nada mais, nada menos,
tcham-tcham: para fazer uma sala de cinema em casa.
WTF? Mas que caralho é esta
merda? Andam a gozar comigo? O país de tanga, um gajo a sufocar em crise e
vêm-me com anúncios destes? Uma sala de cinema em casa!!??
Ó Cofidis, ó Consumismo, ó
Crédito, digam-me lá, quem é que nos fodeu a todos?
…
“-Pá, esquece lá isso, vamos ver
a casa dos segredos.”
sexta-feira, 6 de julho de 2012
donzela
surge o sol
pela neblina cerrada
ouço as
ondas
batem os
sons
na madrugada
confundo o
azul
o céu
misturo-o na
areia da praia
e o branco
o mar
conflui-se no
ar
olha, a
donzela à janela
rosto vidrado
olhar abstrato
no horizonte
de si
oh, espera
só mais um pouco
inquieta
teu peito
na saudade
de mim
um pássaro
que voa
uma,
longa,
brisa
do ar…
a espuma que
arrefece na areia de uma onda
há mar e mar
há que ir, e
voltar…
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Para quem ainda não sabe,
É com muito prazer que anuncio o meu primeiro livro “Colecção
Obsessiva de Sentimentos”, publicado através da Corpos Editora, ilustração Ana Lógica.
Trata-se de um conjunto de poemas, crónicas e contos existencialistas.
O seu lançamento terá lugar na Casa do Alto, dia 19 de Maio, pelas 19 horas.
Terei todo o gosto em vos receber.
Confirmem através do meu email ou do link https://www.facebook.com/events/377235515661201/.
Cumprimentos,
Mário Viterbo e Silva
terça-feira, 1 de maio de 2012
Complexo
A saliva
escorre pelo queixo.
A fome bate nas paredes estomacais.
Dentes amarelos, castanhos, verdes, bafo a vermes.
A fome bate nas paredes estomacais.
Dentes amarelos, castanhos, verdes, bafo a vermes.
Guincha
naquele quarto, naquele cubículo, meio metro quadrado.
Preso, encurralado.
Preso, encurralado.
Quer matar,
quer comer, quer foder.
Quer, só por querer…
Sentir a vida do outro a escoar, o orgulho a se esvair, o medo, a morte a subir.
Quer, só por querer…
Sentir a vida do outro a escoar, o orgulho a se esvair, o medo, a morte a subir.
Grunhido
após grunhido esporra,
Enche de seiva
a masmorra.
Bate, cabeceia, esmurra, planeia.
Naquele espaço, sonha, baixo, o dia da ceifa.
Bate, cabeceia, esmurra, planeia.
Naquele espaço, sonha, baixo, o dia da ceifa.
O mundo movesse, gira constantemente, agitadamente, ignorantemente.
Esquecendo-se, mentindo-se,
Nada aberra, no oculto da serra.
Os locais sabem, tremem, rezam, esperam, calam, desesperam.
Protegem-se com o sangue do cordeiro.
Mas, nada pára os guinchos do bezerro negro, nascido da imaculada virgem violada.
Sacodem as árvores, penetram nas casas, enlouquecem a alma.
Protegem-se com o sangue do cordeiro.
Mas, nada pára os guinchos do bezerro negro, nascido da imaculada virgem violada.
Sacodem as árvores, penetram nas casas, enlouquecem a alma.
fujam
fujam
os muros estão a ficar gastos.
fujam
os muros estão a ficar gastos.
ou matem
matem
aclamem-lhe a cólera tingida.
Seus braços, retorcidos, esgadelham as costas com arranhares repetitivos.
Crava as unhas na pele grossa, chagas putrefactas, espasmos estereotipados,
Olhos revirados.
Crava as unhas na pele grossa, chagas putrefactas, espasmos estereotipados,
Olhos revirados.
Quer…
Dêem-lhe…
É imortal.
Voltaria,
outra vez,
novamente,
Dêem-lhe…
É imortal.
Voltaria,
outra vez,
novamente,
mais e
mais e
fome.
Por isso, matem por ele, dilacerem por ele, cortem-se por ele.
Alimentem os
Eus, o Complexo Monstro premente,
Que geme na serra
da nossa mente.
Despertar para dentro de mim
…preto…
…branco…
…preto...
…como será despertar de um sonho? Disso eu lembro-me.
Mas…
…branco…
…preto…
…cinzento…
…como será despertar do real?
Talvez… talvez seja como acordar com ressaca.
A típica dor de cabeça, a boca seca a saber a sarro,
a aguçada alfinetada da sensibilidade à luz.
Mas isso… Bem, isso é um acordar para a realidade
depois de um sonho mal construído.
Agora, um acordar da realidade é algo… Pelo menos o
acordar da minha realidade. É assim… como a ressaca, mas a dor… essa não é na
cabeça, a secura a saber a sarro não se limita à boca. A luz, não se espeta
como agulhas pelos olhos, perfura-me o ser num local fora de mim. E, o som… o
som é… É como o chiar de centenas de melros, penetrando lentamente, no nosso
torpor sossegado.
E foi assim. Foi assim que me vi. Foi assim que me
senti, lentamente, a despertar para dentro de mim.
A primeira coisa foi o piar imperceptível dos melros.
O resto, veio por acréscimo.
Senti-me pesado, bêbado, charrado, numa bad trip.
Mas… não era eu.
Aliás, não era só eu. Todo o espaço confluía de mim para
mim, num pesado, vertiginoso, sufocante movimento. O frio do chão começou-me a
incomodar. O cheiro… Cheiro arranhado de caca de pássaro.
Abri os olhos. Levantei-me tropegamente.
Pensei… Vi… Imaginei…
Cinzento…
Cercava-me um género de pombal. Caca de pássaro
estendia-se por todo o lado. Manchava tudo de branco e de preto, resultando
numa mescla sépia, peganhenta, fedorenta.
Os vidros erguiam-se, desde a base até ao telhado,
manchados num tumulto de cagadelas que me impediam de ver lá para fora.
O tecto, de
acrílico, misturava-se na cor suja do céu, aprofundava-o. Um céu preto, branco,
cinzento, sulcado e desenhado por centenas de melros, pousados, pendurados nas
traves horizontais do pombal. Chiavam ininterruptamente, martelando irritantemente,
penetrantemente. Cada vez mais alto num agudo crescente.
Franzi a testa. Levei as mãos às têmporas.
Lentamente percebi a irrealidade estranha que me
cercava.
Sustive a respiração.
Olhos, milhares de olhos. Pontos negros, fixos, cegos.
Miravam-me. Escrutinavam-me.
Apesar de todos estes olhos piarem num estrondoso
grito, nenhum bico se movia, nenhum pássaro reagia. E eu… Agonia.
Foda-se!...
Pensei...
terça-feira, 17 de abril de 2012
Para ti,
Para ti,
A quem nunca mais disse nada,
Perdoa-me
Ter virado costas,
Seguir centrado um outro trilho.
Sou assim, desculpa…
Parece que não me importo,
Parece que me esqueço.
Garanto-te, só pareço.
Lembras-te?
Risos e sorrisos.
Abraços fortes e precisos.
Comunicação abstracta, telepática.
E o olhar,
Repouso de desabafos imprecisos.
Tu,
Como quem diz eu,
Oleador do ego.
Sempre serás mais do que uma emoção.
Para ti,
Sensibilidade que me inflamas,
A quem nunca mais disse nada.
Quando um dia, por acaso, te vir,
Reconhecer-te-ei,
E um simples olá de direi.
Até lá, aqui, comigo,
Intimo Amigo.
A Subjectividade do Síndrome de Peter Pan
A criança que existe em mim, quase sempre, domina o adulto que sou.
Manipula-o.
Por causa disso não socializo, não saio, não me divirto.
Quando isso acontece, ela birra e desespera.
E, quando todos os adultos se encontram no formalismo de conversas intelectuais,
ausentes de sentido pessoal algum, logo fico com uma incrível pressão cerebral,
que me faz peidar verbalmente.
Arroto um vocábulo estranho pela goela.
Ou será pelo rabo?...
Franzem os adultos as orelhas, fazem moucos narizes.
Piadas… Piadas… Estupidas e despropositadas. Gargalham só na minha
mente.
Ninguém alcança o adulto subentendido nelas.
Crianças preocupadas de mais com a sua adultez, com a formalidade de
comportamento adequado moralmente.
E, isso é a reacção às minhas graças, porque a reacção a comentários
sérios é de um nível muito mais evoluído de eloquência. Desde respostas do
género “sim porque sim” e “não porque não”, até aos braços de ferro emocionais
de melhor argumento.
Fico ainda mais criança, perplexo perante este enredo.
Crianças, a brincar à razão.
O meu adulto finge que não entende…
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Ectoparasita hematófago
O medo é uma
carraça que se gruda à pele e me chupa.
Infecta-me
com ideias
Parasitas.
Febres,
suores frios, fraqueza, delírios.
Arritmias
compassadas,
Artrite e
dores inchadas.
Absorve o raciocínio,
Descontrola o
instinto.
Incha guloso
e ávido, o carrapato.
Caio árido, por
terra fatigado.
Como é que
uma coisa tão pequena,
Se apodera
assim do sistema.
O espirito
lato, crente,
Desilude-se
por ver a carne em rente.
Carraça maldita,
feia, troglodita!
Absorves a
ilusória arrogância com que vivo,
E mirro.
Esperança!
Esperança!
AHAHAHAHAH!
Um resto de
loucura alcançada.
Procurar,
procurar, sobreviver, encontrar-te,
Naquela
fissura escura da minha pele.
Pegar numa
pinça,
Bicha
esquisita, verto-te agora álcool em cima,
Arranco-te,
corto-te,
Queimo-te a
cabeça,
Agarrada à
zona endémica.
Depois…
Uns
paracetamóis, antibióticos e mais uns sais.
Para não pensar,
em paraideias.
Da próxima
vez que me saltares em cima, bicho,
O sistema imunológico
vai-te reconhecer,
E eu não
sofrerei mais, desses teus beijos mortais.
Estarei
protegido dessa tua doença vampiresca,
Pelos
glóbulos loucos de nascença.
Catarse da morte
Antes que eu
morra,
Põe-me um
cigarro na boca.
Não adianta,
não vale a pena,
Não chores a
me confortar.
No meu corpo,
não me consigo mover,
Vegetativo,
trôpego.
Por isso,
tens de ser tu a tirar o maço,
A pousar-me
o “very-light”, aqui, no lábio.
Acende o
isqueiro.
Mas primeiro
tens que o montar.
No bolso
esquerdo está o “euta-” ,
No direito o
“-nasia”,
Junta os
dois que eu inalo…
Relaaaaaaaaxo…
Tu sabes, tal
como eu sei,
Tanatos, ai
vem…
Acompanha-me….
Fica…
Neste fumo
que nos amortalha.
Sente-o
Pela
garganta
Escorregando
Em
Doce
Mel
Sua voz bafienta.
É assim!
É assim que
se o enfrenta.
Com uma passa de coragem laça, com um último
prazer,
A catarse de
morrer!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Sobre mim
Sobre mim: cai o peso de toda uma conotação. Um estereótipo
que imagino quando olho para os olhos que me fixam, que me obrigam a me fixar.
Por isso, jamais serei e saberei o Real de Mim mesmo, porque
sou o que os outros pensam, confundido pelo que me levam a indagar.
E porque a Realidade se ofusca quanto mais afastadas forem
as perspectivas, busco-me por detrás do olhar dos outros, nunca perdendo nunca
as minhas.
Mesmo assim, tudo não passa e sempre será, uma mer(d)a estereotipia.
...
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Insónia
Sete e meia da manhã.
Porra porra porra porra! Vá lá por favor vá lá por favor!
Novamente durmo mal outra vez novamente.
Doí-me o lóbulo frontal corrói-se-me o estomacal ventre.
Não estou descansado e nada me deixa descansar.
Alguém, algo, alguma coisa, faça-me parar.
Mas porque porra quando durmo, me vem sempre à cabeça, não a Vida mas o dia-a-dia?
Porque a Vida é algo muito mais lato, metafisico, abstracto.
O outro é porqu’é simples, e baseia-se no prático.
No entanto, já não sei o que penso, ou o que devia pensar, e confundo-me em sentimentos sobre o que devia raciocinar.
Revoluteio-me, na cama, constantemente me maço, com a almofada.
Entra o sol no meu quarto, destapando as cores que se escondem, e olho para o meu pálido lençol, atentamente, divagando em nada.
Na sua brancura observo um ponto, um ponto que aos poucos se insinua.
Parece-me mexer-se…
Foco-me, nele, e tento entender o que é. O que era suposto não estar cá lá, mas está…
Exalto-me de nojenta repulsa. Uma larva de mosca, gorda, castanha, asquerosa, arrasta-se como uma víscera atrofiada, enroscando-se nas suas espirais.
Meu sistema digestivo contrai-se numa dor enjoativa.
Percepciono um ligeiro formigueiro nas pernas.
Entro em pânico por imaginar o que significará e descubro-mo instantaneamente.
Confusão!, medo!, sufoco!
Compelem-se larvas pela minha pele, mexem-se em buracos na carne dos meus pés, nas minhas coxas, no abdómen, no peito.
Comem-me...
Aceleram, lentamente, a minha putrefacção.
Acordo com um espasmo.
Doí-me o estômago…
Doí-me a cabeça….
Em manhã cedo,
Ainda cansado…
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Eu, onde estás?...
Eu gostava…
Que a chuva sempre caísse assim…
Morna dentro de mim…
E afastasse esta…
Melancolia repetitiva.
Eu gostava…
De não voltar atrás…
E caminhar para onde tu estás…
Meu Eu fora de Mim…
quarta-feira, 21 de março de 2012
Por ti
Espero por
ti,
Não te
preocupes.
Estarei lá,
naquele lugar
Onde o Sol
raia e aquece
E a Esperança
sempre se reflecte.
Lá, ali,
aqui
Neste
dourado espaço,
Espero sem
pressas,
Com um
sorriso,
Com um
abraço,
Com um riso
de regozijo,
Por saber
que esperas também
Este
destino.
Tu, que
caminhas pela sombra,
Que por
razões só tuas escolhes o vento frio da solidão.
Sabe,
Que eu nasço
sempre com o Sol,
Quente, para
repousares,
Para te amar
sem me amares.
sábado, 3 de março de 2012
Faça-se chuva!
O meu humor flutua ao sabor do
tempo.
Não percebo. Não sou eu que o
domino. Não. Sou apenas um mero espectador sem forças para me impor.
Se o sol aparece sou
pateticamente feliz. Se as nuvens se insinuam sou estupidamente triste.
Nem adianta lutar. Tentar
impingir-me a mim mesmo alegria em céu negro e escuridão em céu aberto.
Não me governam os Deuses, ou o
tolo do destino (porque não acredito em nenhum deles). Mas a madrasta da
natureza domina-me. E hoje, passou o dia todo a ameaçar-me. A prometer que me
daria uma porrada de chuva.
Podia cair o Carmo e a Trindade,
chover sapos, bolas de gelo, meteoros, podia chover a cântaros, grossas gotas,
encher tudo, molhar tuto, arrastar toda a depressão pelo esgoto abaixo.
Mas não. Nem chove nem deixa
chover.
E eu aqui, com vontade da molha,
da água a escorrer-me pelos cabelos, da nostalgia, do enredo, do som, do movimento,
da frescura da sua cura, de ir lá fora ser lavado por dentro.
Mas hoje, o dia não esteve para
ai virado. E tem andado a enconar durante meses.
Quando fica assim, eu fico como
ele, sou como ele, o limiar entre o ser e o não-ser, a margem de mim, a seca.
Ele brinca com os meus
sentimentos, enubla o meu pensamento, frusta todas as minhas tentativas de ser
bem, alegre, solarengo, calorento, radiante, esperançoso, confiante.
E fico assim,
parado, cinzento… Uma puta de merda de tempo…
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Credo do Ego
Creio
no Ego,
Eu
Todo-Poderoso, Criador da Vontade,
De
todos os Comportamentos.
Creio
em uma só Motivação, Egoísmo,
Filho
Uno do Ego, nascido do Self antes de tudo o resto;
Eu
do Eu, Altruísmo do Altruísmo,
Eu
verdadeiro do Eu verdadeiro;
Não
gerado, não criado, inerente ao Self.
Para
Ele todas as coisas foram feitas.
E
por nós, Seres, e para nossa sobrevivência surgiu,
E
encarnou pelo poder da evolução
No
seio da Mente, e Se fez Vontade.
Também
por nós foi mascarado sob a Negação,
Padeceu
e foi recalcado.
Ressuscita
sempre, conforme escrito no ADN;
E sobe
à Psique,
Onde
se senta ao lado do Ego;
De
novo há-de vir em Sua defesa, para buscar o Bem e o Mal;
Pois
Seu caminho não tem fim.
Creio
na Vontade Primordial,
Centelha
que dá a vida, que procede do Eu e do Egoísmo;
E
com o Eu e o Egoísmo é adorado e glorificado;
Ele
que fala pelos Condicionalismos.
Creio
nesta Vontade una, pura, universal e hereditária.
Professo
um só início, para admitir que Altruísmo, é só um aspecto do Egoísmo.
E
espero a ressurreição da verdade
E a
compaixão que há-de vir.
Ámen.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Toda a gente se parece com toda a gente
Toda a gente se parece com toda a
gente. Não é só o meu pensamento estereotipador a atuar, é muito mais que
isso.
As pessoas estereotipam-se a si
mesmas.
Facto inegável é a nossa adoção
(consciente ou inconsciente) de estilos idênticos aos do grupo com o qual nos
identificamos: a fala; o andar; o vestir; entre outras coisas.
Mas incomoda-me. Angustia-me o facto
de eu não conseguir não estereotipar.
Sinto que, por todos quererem ser
identificados com algo, e, mesmo os que não têm essa intenção inevitavelmente o
serem, a minha mente é forçada a estereotipar.
Por isso, ao andar pela cidade de
Lisboa olho para todas as pessoas como se apontasse o dedo classificador:
pobre; rico; extremamente pobre; novo-rico; classe alta; classe baixa; trabalhador;
sem-noção; porco; beto; beta; meninos da mamã; convencido; convencida;
arrogante; infeliz; cansado; bem-disposto; divertido; top-model; snob;
estrangeiro; indiano; italiano; africano; lisboeta; nortenho; guna (chunga); dondoca;
homossexual; empresário; empresária; macho-men; empreiteiro; trolha;
desconfiado; inteligente; confiante; hip-hoper; confiante; simpático; humilde;
secretária; intelectual; cota; manipulador; passivo; defensivo;
toxicodependente; alcoólico; VIP; azeiteiro; personagem da televisão (Chuck
Norris, Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Britney Spears, Angelina Jolie,
etc); e mais todos os outros estereótipos inimagináveis.
Que se passa na minha cabeça quando
vagueio por estas ruas lisboetas? Que se passa enquanto circulo de autocarro em
autocarro, ou me insiro de metro em metro? Como fujo a este esteriótipo mental que me faz ver o mundo em quadrados? Quem me ajuda a montá-los?
O aglomerado urbano estendesse
tão largamente que cria novos grupos e aumenta os grupos já existentes. É
impossível ninguém se parecer com ninguém.
Deixo-me influenciar pela dimensão,
pela mensagem que as pessoas através do aspeto querem transmitir, pelo reflexo
que não conseguem evitar. Rotulo. Tento ver para além das evidências, mas não
consigo. A imagem barra a minha perceção ao verdadeiro ser do Ser Humano. Essa caraterística
que eu não me esqueço. Que aquele à minha frente é um Humano como eu, com dramas
como os meus, pensamentos idênticos aos meus, alegrias e tristezas tão fortes
como as minhas.
Enfim, dou por mim idêntico aos de
mais. Mais um Humano sem Ser, ou mais um Ser sem Humano? Mais um qualquer
absorvido pelas repetições banais.
Por isso penso: e eu, com quem me parecerei?
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Män som hatar kvinnor - Os Homens que Odeiam as Mulheres
Para quem ainda não sabe estreou um filme fantástico, que eu
ainda não vi: “Os Homens Que Odeiam as Mulheres”. Adaptado do famoso romance de
Stieg Larsson, ou talvez imitação deste filme “Män som hatar kvinnor”. Este
sim, realmente baseado no livro. E como podem ver, irrita-me o copy paste Americano com pretensão a artigo
original, de filmes Europeus e Asiáticos.
Apesar de ser sueco “Män som hatar kvinnor” é definitivamente
um grande filme. Atrevo-me a diver que chega a ser tão mítico como o “Silêncio
dos Inocentes”, o “Figth Club”, o “Irreversivel”, “Taxi Driver”, and so on.
Infelizmente não sou crítico de cinema, nem percebo nada de
técnicas cinematográficas, por isso minha opinião é o que é, de mero consumidor.
E como consumidor, satisfiz-me com o ambiente cinzento, negro e violento do
filme.
Por isso não o perca, num torrent
mais perto de si.
Outro filme que aconselho a ver, é o “Trust”. Um filme
normal, com uma mensagem repetitiva, que nunca é de mais repetir. Mas o que
verdadeiramente gostei nele foi o retracto bem elaborado do processo psicológico
emocional (negação) da rapariga (vitima). Vale a pena ver como este se pode
processar.
Por último, para quem anda fudido da vida (como eu), para
quem anda fudido com a crise (como eu), para quem começa a ter raiva por ter
nascido na merda desta mentalidade provinciana, egoísta, invejosa, cusca,
beata, interesseira, portuguesa, em que cada qual tem o seu quintal e ninguém dá
nada a ninguém; fica aqui um pouco de empowerment
de TEDxYouthBraga com Miguel Gonçalves.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Faz um frio do caralho
Antes de mais queria-me agradecer a
mim próprio e à minha namorada. Os únicos que votaram na sondagem “favas com
chouriço”. Pelo menos já não estou forever
alone, haja alguém que me contrarie.
Sendo assim, nem vale a pena
fazer uma sondagem de quem gosta de sushi. Ainda pensei em fazer uma de quem
gosta do frio, mas é melhor estar quieto.
Passei por aqui só para dizer que
faz um frio do caralho. Daquele género de grizo que te griza os tintins (ou as maminhas) e que
nos desperta a vontade (pelo menos a mim) de gritar P*** Q** P****. É que passo
a porra do dia todo cheio de frio e ainda por cima, nesta contenção de custos, ninguém
abre a porra do aquecimento. Finalmente, desde os meus tempos de criança, vi-me
obrigado a usar ceroulas. Ceroulas! Devo estar a ficar velho!
Mas, engane-se
quem pensa que é porque este ano faz mais frio. Não me venham cá com essa
conversa do: “ah, este ano acho que faz mais frio e tal”. Não, não se passa
nada disso. Todos os anos é sempre a mesma coisa, faz sempre um frio do camano.
Infelizmente, este ano ando menos de carro. E no vai vem do cá para lá, e do lá
para cá vou apanhando com as corrente gélidas e passo os dias a tremer em convulsões
elétricas.
Bem, mas se o
calor me faz sentir morno de monotonia, ao menos o frio faz-me sentir vivo de agonia.
Por isso,
deixo-vos com Vivaldi - Four Seasons (Winter). Simplesmente espetacular.
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