Mostrar mensagens com a etiqueta Opinião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Opinião. Mostrar todas as mensagens

sábado, 11 de janeiro de 2014

Qual a melhor forma de fazer a barba?


Ok, hoje acordas-te, foste à casa de banho. Deste a tua urinadela matinal, farpaste-te (claro!), e olhaste-te ao espelho. Viste a barba de quatro dias que tinhas na fronha e pensas-te, “foda-se, não me apetecia nada fazer esta merda. Qual a melhor forma de fazer a barba?”.

Se chegas-te a este ponto, aviso-te já, tás fudido. Primeiro, não há forma perfeita de fazer a barba, é sempre chato como o caralho. Segundo, vais começar a amaricar tipo White Castle. Vais começar a procurar soluções na net, naqueles blogues sobre moda e mais o caralho. Começas a usar bálsamos xpto, mais o esfoliante de “nhanhã” de caracol, mais a gilete 1001 lâminas. A usar os termos técnicos e snobes pré-shave e after-shave, (tradução: antes de barbear e depois de barbear, caralho!). Vais-te preocupar com o “irritar de pele”, “lesões”, “problemas dermatológicos” e foliculite - mais conhecido como, filha da puta do pelo encravado.

Depois de procurar, investigar, escrutinar, indagar e uma quantidade enorme de perda de tempo, finalmente, fazes uma listinha com os passinhos todos. Numerados por ordem alfabética, cardinal ou numeral.

Atenção! Muita atenção! Agora é que a rolha desenrosca. Quando dás por ti, estás a ter mais trabalho do que dantes e a barba continua a sair a mesma merda, de sempre! Desesperado, pensas, “é melhor fazer a depilação a laser da barba”.

Eu não disse que ias dar em White Castle e “metrofudido”?

Sinceramente, mas quem é que raio vai procurar artigos na net sobre a melhor forma de fazer a barba?

Sê homem caralho! Põe-me mas é água fria nesses pelos, ensaboa-me essa merda e siga com a navalha.

E dizes tu. - Ah, mas eu sou novo e não tenho experiência.

Ó meu filho, primeiro, vai colocar caca de galinha nesses pentelhos que tens na fronha. Depois, vai falar com um macho.


Atentamente,
Mário Viterbo Silva


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Män som hatar kvinnor - Os Homens que Odeiam as Mulheres

Para quem ainda não sabe estreou um filme fantástico, que eu ainda não vi: “Os Homens Que Odeiam as Mulheres”. Adaptado do famoso romance de Stieg Larsson, ou talvez imitação deste filme “Män som hatar kvinnor”. Este sim, realmente baseado no livro. E como podem ver, irrita-me o copy paste Americano com pretensão a artigo original, de filmes Europeus e Asiáticos.
Apesar de ser sueco “Män som hatar kvinnor” é definitivamente um grande filme. Atrevo-me a diver que chega a ser tão mítico como o “Silêncio dos Inocentes”, o “Figth Club”, o “Irreversivel”, “Taxi Driver”, and so on.
Infelizmente não sou crítico de cinema, nem percebo nada de técnicas cinematográficas, por isso minha opinião é o que é, de mero consumidor. E como consumidor, satisfiz-me com o ambiente cinzento, negro e violento do filme.
Por isso não o perca, num torrent mais perto de si.
Outro filme que aconselho a ver, é o “Trust”. Um filme normal, com uma mensagem repetitiva, que nunca é de mais repetir. Mas o que verdadeiramente gostei nele foi o retracto bem elaborado do processo psicológico emocional (negação) da rapariga (vitima). Vale a pena ver como este se pode processar.

Por último, para quem anda fudido da vida (como eu), para quem anda fudido com a crise (como eu), para quem começa a ter raiva por ter nascido na merda desta mentalidade provinciana, egoísta, invejosa, cusca, beata, interesseira, portuguesa, em que cada qual tem o seu quintal e ninguém dá nada a ninguém; fica aqui um pouco de empowerment de TEDxYouthBraga com Miguel Gonçalves.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

MoreThan 100Words

OK pessoal… Alguém me pode dizer se o MoreThan 100Words é algum novo culto religioso? É que, sinceramente, não consigo entender. Sempre que entro no Facebook aparecem-me dezenas de actualizações desta coisa, e por vezes dezenas, de uma única só  pessoa.

Primeiro, já não bastava aquele pessoal que actualiza o estado durante 24horas ao dia: “Arrotei agora, posta isto se gostas”, “Amo a vida, posta se sentes o mesmo”.
Tipo!...
Já não me bastava a publicidade durante meia hora na televisão, os mil e um panfletos que me enfiam na caixa de correio, a Meo e a Zon sempre a bater à porta, a Sumol a dizer: “se não beberes Sumol um dia vais pensar que sair à noite é ir pôr o lixo na rua”; já não me bastava a igreja católica, a ortodoxa e a anglicana dizerem para não fazer sexo antes do casamento nem usar preservativo, ainda tenho que levar com dezenas de imagens da MoreTham 100Words. Com frases pirosas, lamechas e idealistas que pretendem ter a pretensão de verdades absolutas. Género: “Segue os teus sonhos, não o que as pessoas dizem”. Eheh… Adoro contra censos...
A ideia até está porreira, para quem gosta destas piquices. Está original e criativa. Mas, por favor. Não passem 24 horas, mais mil e uma vezes, a clicar gosto no raio das fotos. É que depois, aparece mil e uma vezes no meu feed de notícias algo que eu nem aprecio, que acho banal, foleiro e piroso, como a publicidade da Optimos, TMN, ou Vodafone. E se dantes já não gostava, de repente, passo a detestar.
Por isso pessoal, se querem criar um novo culto religioso, não o façam em minha casa, e por favor não me venham cantar à porta todos os dias.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Um dos meus raros momentos a pensar em política.

Alguém disse: “podemos pensar numa política sem ética, mas nunca numa ética sem uma política.”
Ora aqui está uma interessante afirmação, mas antes de a poder comentar, penso que o melhor será tentar esclarecer do que trata a ética e do que trata a politica.
Em relação à ética, vou utilizar a definição de Fernando Savater: a ética ocupa-se de administração que cada qual faz da sua vida, para seu próprio bem.
No início, esta afirmação pareceu-me um pouco seca e insuficiente. Mas, mais tarde percebi porque Savater não especifica o que é o mal e o que é o bem, ou porque não acrescenta que a ética se ocupa da administração “justa” que cada qual faz da sua vida.
Porque o justo e o injusto, o bem ou o mal, dependem do foro individual de cada um. O mais importante é que ao definir o que é o mal e o que é o bem, estaria a delimitar o crescimento individual do sujeito. A ética não se ocupa em definir no geral quais as escolhas boas. Pois assim sendo cairíamos no determinismo, na recusa da responsabilidade e no fim da liberdade. Por isso, a ética só se ocupa em definir o bem individual.
Aqui entra a política. Ora, como o bem individual pode variar de sujeito para sujeito, a política trata de definir o bem comum. Implementa-o em códigos e leis, para que escolhas éticas não entrem em conflito. Mesmo assim, a política não decide o que é o mal e o que é o bem ético, apenas o organiza conforme as necessidades sociais.
Por isso a ética não pode existir sem política, pois sem esta seria o caos.

Estranhamente, pensar numa política sem ética já é possível, pois a politica parte de objectivos mais colectivos do que individuais. Pode muito bem utilizar métodos não éticos individualmente, para chegar a resultados bons para o colectivo. Por exemplo, obrigar os cidadãos a ir à guerra, autorizar a pena de morte, e por ai fora. Estes são exemplos que variam eticamente de pessoa para pessoa.

Infelizmente estas não são as únicas definições de ética e de política. Muitos outros pensadores apresentam outras ideias para a dualidade entre ética e politica. Alguns encaram a ética como conduta boa e afirmam que política não deve existir sem ela. Esta também parece ser a definição geral que as pessoas dão a ética. Mas cuidado com esta definição, pois o bem, como já disse, é subjectivo. E a política não consegue ser sempre subjectiva, mas consegue ser sempre objectiva.

Concluindo, depois de reflectir e “dar uns nós cerebrais” a pensar em ética, penso que o ideal seria dizer, não que devemos pensar uma política com ética, mas sim numa política humanista. Sendo assim, segundo as minhas definições, os nossos políticos realmente parecem ter muita ética, mas muito pouca humanidade.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O que é que justifica a violência?

Violência gratuita, espontânea, apreciada, exposta e difundida. Este é caso da “jovem espancada em Lisboa”. Estranho, mas não tão estranho.
Porquê? Primeiro, porque para mim a violência é sempre incómoda. Faz-me sentir nauseado, acelerado, alerta. Imagino a dor do agredido, transfiro-a para mim revendo-a novamente na pessoa, e sinto-me mal, podre.
Segundo, actos como este sempre aconteceram. Quantas vezes já vi porradas e espancamentos piores. A quantos amigos meus já não aconteceu isto e com muita sorte não me aconteceram a mim. Pelo menos nada de grave. Na minha escola era o “pão-nosso do dia-a-dia”. Agora, a única coisa nova nesta violência é a sua exposição nas redes sociais.
Mas, não é sobre isto que quero falar. Quero é falar numa questão que me surgiu ao ver um comentário de uma psicóloga na SIC, e sobre um comentário de uma colega das agressoras.
Obviamente que nos noticiários e na televisão tinham que colocar pessoas a discutir o caso. A dar de seu parecer, a rotular os agressores de malucos, “geração rasca”, jovens sem valores. A julga-los, para todos ficarmos mais aliviados e com o sentido de justiça preenchido. Foi neste campo que apareceu a psicóloga, a tentar fugir deste normal pensamento humano de popular linchamento. Dizendo que não estava ali para julgar ninguém, que os jovens que agrediram também são humanos.
 Infelizmente, ao se tentar desviar do julgamento e demonstrar imparcialidade cometeu o erro de não se exprimir correctamente. Principalmente quando disse que, ao ver as mensagens dos agressores e dos colegas no Facebook compreendia o propósito da sua agressão. Isto, aos olhos de quem não sabe ler nas entrelinhas e não entende que compreensão é diferente de aceitação, não vai parecer nada bem.
Outro ponto, ainda mais engraçado, que me fez relembrar desta história toda, é o seguinte. Hoje ao ver o telejornal, uma das colegas das agressoras afirmava: “elas agrediram porque ela chamou nomes e insultou a mãe de uma e porque traiu “não sei quem””. Foi aqui que me deu um flash nos neurónios.
É isto justificação para bater e agredir? Afinal, até que ponto se pode justificar a violência? É a simples humilhação por palavras razão para responder com punhos e estaladas? É porque se for, daqui a pouco mais vale pegar numa arma e matar quem que chateia, ou simplesmente tortura-lo, humilha-lo e domina-lo, realçando o meu poder sobre ele.
Até certo ponto eu compreendo, mas não aceito. Nunca aceitarei justificação alguma para a violência, só em defesa da integridade física que ponha em risco, ou não, a própria vida. Nada justifica a violência, nada! Mas, e se…?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Um ser fútil

Existe uma coisa que me incomoda, me põe os miolos a ferver e o sangue a girar. Essa coisa é a futilidade. O fútil.
Não, não são as pessoas fúteis, nem os assuntos fúteis que me metem repulsa, ou nojo, ou raiva. O que me chateia é definição da palavra fútil e o conceito de “pessoa fútil”.
Vejamos, segundo o Dicionário Universal da Texto Editora de 2002, fútil é um adjectivo que deriva do latim “futile” e significa frívolo, vão ou leviano. Até aqui nada de mais.
Ora, indo ver ao Dicionário de Portugues-Latim da Porto editora de 2001, já se consegue acrescentar mais alguma coisa: “Futile (futilis) adv. Inutilmente, em vão”; “Futilis, e (fundo) adj. 1. que deixa escapar o que contém, que não retém, que não guarda; 2. frágil; 3. vão, frívolo, fútil, sem autoridade”.
Mas, por mais que eu procure no dicionário, não encontrarei lá o conceito de “pessoa fútil”. Sendo assim, juntando os significados anteriores e reflectindo nos contextos em que a expressão é utilizada, diria que “pessoa fútil” é: sujeito que se ocupa com inutilidades e as sobrevaloriza; que não analisa a profundidade dos assuntos que o rodeiam limitando-se ao superficial; por isso, é frequente cometer erros de análise precipitados.
Penso que esta é uma definição aceitável. Uma definição que consigo aplicar a algumas pessoas. Infelizmente e habitualmente, quando aplicada esta expressão em contexto usual, esta vem carregada com uma conotação negativa, estereotipada e preconceituosa. Ou seja, quando determinado assunto, ou modo de viver, é para nós fútil ou inútil, rotulamos determinado sujeito de fútil. Quase como se ele fosse burro, como se a sua alma fosse oca.
E é isto que me incomoda. Esta definição corriqueira de “fútil”, a capacidade indiscriminada de considerar alguém fútil. E eu questiono-me, existirá mesmo alguém fútil?
O que é inútil para mim é de extrema importância para outro, e vice-versa. O bom, mau, bonito, feio, útil ou inútil são conceitos subjectivos, dependem individualmente de sujeito para sujeito. São quase como conceitos “indiscutíveis”.
Sendo assim, continuo a perguntar, haverá mesmo alguém fútil, oco, sem profundidade de mente e alma? Quem é que gosta de ser chamado de fútil? Alguém se quer considerar assim?
Acho que um ser humano é complexo de mais para poder ser considerado de fútil. Talvez classifiquemos alguém assim, devido à nossa incapacidade de entender e compreender verdadeiramente o outro. Temos que ver que “cada cabeça um mundo”, ou “uma cabeça milhares de mundos”.
Por isso, é preciso ter cuidado quando classificamos alguém de fútil. Esta pode ter como base uma análise precipitada e superficial do sujeito que está à nossa frente. E isso sim, isso seria verdadeiramente uma análise fútil.