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sábado, 11 de janeiro de 2014

Qual a melhor forma de fazer a barba?


Ok, hoje acordas-te, foste à casa de banho. Deste a tua urinadela matinal, farpaste-te (claro!), e olhaste-te ao espelho. Viste a barba de quatro dias que tinhas na fronha e pensas-te, “foda-se, não me apetecia nada fazer esta merda. Qual a melhor forma de fazer a barba?”.

Se chegas-te a este ponto, aviso-te já, tás fudido. Primeiro, não há forma perfeita de fazer a barba, é sempre chato como o caralho. Segundo, vais começar a amaricar tipo White Castle. Vais começar a procurar soluções na net, naqueles blogues sobre moda e mais o caralho. Começas a usar bálsamos xpto, mais o esfoliante de “nhanhã” de caracol, mais a gilete 1001 lâminas. A usar os termos técnicos e snobes pré-shave e after-shave, (tradução: antes de barbear e depois de barbear, caralho!). Vais-te preocupar com o “irritar de pele”, “lesões”, “problemas dermatológicos” e foliculite - mais conhecido como, filha da puta do pelo encravado.

Depois de procurar, investigar, escrutinar, indagar e uma quantidade enorme de perda de tempo, finalmente, fazes uma listinha com os passinhos todos. Numerados por ordem alfabética, cardinal ou numeral.

Atenção! Muita atenção! Agora é que a rolha desenrosca. Quando dás por ti, estás a ter mais trabalho do que dantes e a barba continua a sair a mesma merda, de sempre! Desesperado, pensas, “é melhor fazer a depilação a laser da barba”.

Eu não disse que ias dar em White Castle e “metrofudido”?

Sinceramente, mas quem é que raio vai procurar artigos na net sobre a melhor forma de fazer a barba?

Sê homem caralho! Põe-me mas é água fria nesses pelos, ensaboa-me essa merda e siga com a navalha.

E dizes tu. - Ah, mas eu sou novo e não tenho experiência.

Ó meu filho, primeiro, vai colocar caca de galinha nesses pentelhos que tens na fronha. Depois, vai falar com um macho.


Atentamente,
Mário Viterbo Silva


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ca frio!!!




“A crise retesa-nos a alma tal como o frio nos retesa a carne.”

Bravo! Bravo! 

E, em homenagem a esta fabulosa frase, que me ocorreu enquanto estava na casa de banho (a tomar um duche, claro!), posto hoje, uma ajudinha para estes tempos difíceis.

Tal como a frase sugere, a crise veio para ficar e o inverno está à porta por alguns meses (vá lá, uma boa noticia, para além do fim do mundo, claro!), por isso, convém conter os custos elétricos. Ou, pelo menos, saber quanto gastamos em ter 5 aquecedores ligados 24 horas por dia.

As contas são fáceis pessoal! Ora ai vai:

Calculo do consumo dum equipamento que tenho em casa.

1. Identifique a potência (Watt) do equipamento em causa. Normalmente os fabricantes indicam esse valor numa chapa ou etiqueta colocada de lado ou na parte de trás do equipamento. Se não existe essa indicação, mas apenas a intensidade de corrente (Ampere - A) e a tensão (Volt - V) são fornecidos, faça o seguinte cálculo:

A X V = Watt

(Em Portugal a tensão da rede é de 230V)

2. Determine o consumo mensal do equipamento, multiplicando os Watts pelo número de horas de utilização mensal do equipamento. Por exemplo, se uma lâmpada fluorescente (36 W) está ligada 8 horas por dia, então por mês estará ligada 240 Horas (8x30 dias). O seu consumo mensal será de:

Watts X horas utilização = Watts hora por mês

36 X 240 = 8 640 Watts

3. Determine os Kilowatt hora (kWh) consumidos por mês:

Watt hora por mês / 1000 = kWh por mês

8 640 / 1000 = 8,64 kWh

4. Finalmente se quiser saber o custo deste consumo basta multiplicar os kWh por € 0,1011 (no caso da tarifa simples).

8,64 kWh X 0,1011 = 0,8735 €

Ok, admito, estes cálculos foram completamente plagiados do site da EDP. Como vêem nem me dei ao trabalho de mudar nada. Mas, por mais que procurasse, por incrível que pareça, nenhum blogue conseguia explicar de forma simplificada o custo elétrico de um equipamento. Apareciam-me sempre com cálculos estranhos e reduções de unidades de medida completamente desconhecidas. 

Pensei então: “Txiiii”, ganda volta”. Por isso ninguém percebe nada de nada, e nem saímos da cepa torta. Ecletismo filho da ****.

Mas, voltando ao assunto, se ainda não sabem como calcular, não se preocupem. Basta-vos aplicar a regra de 3 simples. Vejam o seguinte exemplo para os aquecedores.

Quero saber quanto gastam por hora os meus 5 aquecedores ligados 24 horas por dia.

Imaginem que os meus aquecedores têm 2000W cada.

1kWh equivale a € 0,1011.

Então, primeiro tenho que reduzir 2000W a kWh. Como faço isso? Divido por mil.

Sendo assim, dá 2kWh.

A seguir, regra de 3 simples. Se 1kWh custa 0,1011 €, então faço (2kWh * 0,1011 €) / 1kWh = 0,2022 €.

Se o meu aquecedor tem 2000W então gasto 0,2022 € numa hora. Se tiver 5 aquecedores gasto 0,2022 € * 5 = 1,011 €.

Como estão ligados 24 horas por dia gasto 24 * 1,011 € = 24, 264 €. No fim do mês (sem intervalos) equivale a 720 horas. 720 * 1,011 € = ****. FONIX!! Vou desligar os aquecedores. Mais vale rapar frio!...

Resumindo, é só reduzir e multiplicar pela tarifa por hora. Depois multiplicar pelas horas que o aparelho estiver ligado. Fácil J. Fiquem bem!


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Fatura?...


Por vezes é impossível contornar o mal. Evitar o erro dos outros. Que um amigo esmurre a cabeça na parede. Quantas vezes já avisei: Não vás por ai, não adiantando de nada. Quantas vezes já me avisaram: Por ai vais-te enterrar, mesmo assim, lá fui eu para o auto-enterro. Faz parte da vida, do crescimento, ou do que lhe queiram chamar.

No entanto, quando falo desta incapacidade para reverter o mal dos outros, estou a falar do mal por mal, do erro consciente, deliberado e propositado. Não no erro da inocência, como quando uma criança mete a mão no fogo, por não saber que queima. O que pretendo falar é sobre outra coisa e sobre as implicações reais desse comportamento nato. Para isso, dar-vos-ei um exemplo pessoal.

Desde tenra idade fui um aluno medíocre, preguiçoso e pouco maduro para poder atingir certas matérias. Como resultado as negativas sempre se acumularam. Passei sempre de ano com duas ou três negativas. A português, a matemática e a inglês era um “0-“ (zero à esquerda). E isto desde a quarta classe.

Lembro-me perfeitamente das minhas primeiras negas, minha mãe ficou tão desiludida que me deu um enxerto de porrada. Ok, até pode não ter sido um “enxerto”, mas como qualquer criança com 9 anos de idade maximizei o acontecimento. Por isso, o pouco pareceu muito.

A partir dai, sempre que apresentava uma negativa, minha mãe gritava, berrava, ralhava e eu ganhava umas bofetadas. Independentemente disto, continuava a minha má progressão escolar. Apesar da minha mãe, pelo reforço negativo, me tentar fazer bom aluno, não conseguiu. Aliás, a certa altura comecei a mentir sobre os testes e a esconde-los. Ou seja, a situação piorou.

Cá está, o ponto fulcral do que quero transmitir. Eu, mesmo sabendo que fazia mal em mentir, preferia-o em vez das estaladas. E, por mais que alguém me viesse dizer para não mentir, continuaria na mesma. Faz parte da natureza humana, escolher uma desprazer menor para evitar um desprazer maior. Levando o exemplo ao extremo, é matar para não ser morto.

Chegando onde quero, à política. Imaginem o governo como a minha mãe e o povo como eu. O governo bate nos contribuintes, aumenta os impostos, corta suicídios, corta aqui, corta ali. Famílias desempregadas, dividas acumuladas, empresas fecham, ordenado diminui, preços aumentam. Ainda por cima, a maioria dos contribuintes sente que não mereceu por tal estalada. Então, o que é que o povo (como eu quando criança) faz? Exatamente, mentir e esconder.

Por isso, senhores políticos, bem-vindos à corrupção que tentaram diminuir, ao trabalho clandestino, à obscuridade. Se é com fatura ou sem fatura, já não será preciso perguntar, aliás, já não é.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Quem é que nos fodeu a todos?




Já que está tudo a falar de Crise, Troika, Passos Coelho, TSU, Orçamento de Estado, do habitual Está Tudo Fudido, eu pensei, porque não eu escrever sobre estas merdas, possa ser que o pessoal finalmente se interesse a ler os meus textos. 

Ah? Que tal a ideia?

Sendo assim, passando à frente da minha própria crise pessoal de ideias, palavras e criatividade, passo a perguntar: quem é que nos fodeu a todos?

E é aqui, neste busílis, que tropeço vezes sem conta. Neste engodo entrelaçado de ladainha politica que a televisão me chuta todos os dias, quando sucessões de governos se defendem culpando o governos anteriores a si pelo sucedido, quando políticos repetem discursos, mentiras, comportamentos, atuações, posturas, ideias, falácias, etc, etc, etc. Falam mal disto e daquilo e daqueloutro. E soluções? Onde?

Bem, depois de ouvir esta cagada toda, da qual já estou cansado, mesmo só tendo 28 anos, depois de me arrancarem a fé no futuro, depois de desesperar com a Crise e ver o orçamento pessoal a ficar reduzido, depois de ter vendido o carro, porque o autocarro é mais barato, passamos para outro ato televisivo surreal, os anúncios da Cofidis. Aqui, apresenta-se uma senhora, bonita, meia-idade, classe média-alta, a dizer que fez um crédito na Cofidis. E com que objetivo fez esse crédito? Ora, nada mais, nada menos, tcham-tcham: para fazer uma sala de cinema em casa.

WTF? Mas que caralho é esta merda? Andam a gozar comigo? O país de tanga, um gajo a sufocar em crise e vêm-me com anúncios destes? Uma sala de cinema em casa!!??

Ó Cofidis, ó Consumismo, ó Crédito, digam-me lá, quem é que nos fodeu a todos?


“-Pá, esquece lá isso, vamos ver a casa dos segredos.”




terça-feira, 17 de abril de 2012

A Subjectividade do Síndrome de Peter Pan


A criança que existe em mim, quase sempre, domina o adulto que sou.
Manipula-o.
Por causa disso não socializo, não saio, não me divirto.
Quando isso acontece, ela birra e desespera.
E, quando todos os adultos se encontram no formalismo de conversas intelectuais, ausentes de sentido pessoal algum, logo fico com uma incrível pressão cerebral, que me faz peidar verbalmente.
Arroto um vocábulo estranho pela goela.
Ou será pelo rabo?...
Franzem os adultos as orelhas, fazem moucos narizes.
Piadas… Piadas… Estupidas e despropositadas. Gargalham só na minha mente.
Ninguém alcança o adulto subentendido nelas.
Crianças preocupadas de mais com a sua adultez, com a formalidade de comportamento adequado moralmente.
E, isso é a reacção às minhas graças, porque a reacção a comentários sérios é de um nível muito mais evoluído de eloquência. Desde respostas do género “sim porque sim” e “não porque não”, até aos braços de ferro emocionais de melhor argumento.
Fico ainda mais criança, perplexo perante este enredo.
Crianças, a brincar à razão.
O meu adulto finge que não entende…


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Sobre mim


Sobre mim: cai o peso de toda uma conotação. Um estereótipo que imagino quando olho para os olhos que me fixam, que me obrigam a me fixar.
Por isso, jamais serei e saberei o Real de Mim mesmo, porque sou o que os outros pensam, confundido pelo que me levam a indagar.
E porque a Realidade se ofusca quanto mais afastadas forem as perspectivas, busco-me por detrás do olhar dos outros, nunca perdendo nunca as minhas.
Mesmo assim, tudo não passa e sempre será, uma mer(d)a estereotipia.
...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Insónia



Sete e meia da manhã.
Porra porra porra porra! Vá lá por favor vá lá por favor!
Novamente durmo mal outra vez novamente.
Doí-me o lóbulo frontal corrói-se-me o estomacal ventre.
Não estou descansado e nada me deixa descansar.
Alguém, algo, alguma coisa, faça-me parar.
Mas porque porra quando durmo, me vem sempre à cabeça, não a Vida mas o dia-a-dia?
Porque a Vida é algo muito mais lato, metafisico, abstracto.
O outro é porqu’é simples, e baseia-se no prático.
No entanto, já não sei o que penso, ou o que devia pensar, e confundo-me em sentimentos sobre o que devia raciocinar.
Revoluteio-me, na cama, constantemente me maço, com a almofada.


Entra o sol no meu quarto, destapando as cores que se escondem, e olho para o meu pálido lençol, atentamente, divagando em nada.
Na sua brancura observo um ponto, um ponto que aos poucos se insinua.
Parece-me mexer-se…
Foco-me, nele, e tento entender o que é. O que era suposto não estar cá lá, mas está…
Exalto-me de nojenta repulsa. Uma larva de mosca, gorda, castanha, asquerosa, arrasta-se como uma víscera atrofiada, enroscando-se nas suas espirais.
Meu sistema digestivo contrai-se numa dor enjoativa.
Percepciono um ligeiro formigueiro nas pernas.
Entro em pânico por imaginar o que significará e descubro-mo instantaneamente.
Confusão!, medo!, sufoco!
Compelem-se larvas pela minha pele, mexem-se em buracos na carne dos meus pés, nas minhas coxas, no abdómen, no peito.
Comem-me...
Aceleram, lentamente, a minha putrefacção.


Acordo com um espasmo.
Doí-me o estômago…
Doí-me a cabeça….
Em manhã cedo,
Ainda cansado…


sábado, 3 de março de 2012

Faça-se chuva!

O meu humor flutua ao sabor do tempo.
Não percebo. Não sou eu que o domino. Não. Sou apenas um mero espectador sem forças para me impor.
Se o sol aparece sou pateticamente feliz. Se as nuvens se insinuam sou estupidamente triste.
Nem adianta lutar. Tentar impingir-me a mim mesmo alegria em céu negro e escuridão em céu aberto.
Não me governam os Deuses, ou o tolo do destino (porque não acredito em nenhum deles). Mas a madrasta da natureza domina-me. E hoje, passou o dia todo a ameaçar-me. A prometer que me daria uma porrada de chuva.
Podia cair o Carmo e a Trindade, chover sapos, bolas de gelo, meteoros, podia chover a cântaros, grossas gotas, encher tudo, molhar tuto, arrastar toda a depressão pelo esgoto abaixo.
Mas não. Nem chove nem deixa chover.
E eu aqui, com vontade da molha, da água a escorrer-me pelos cabelos, da nostalgia, do enredo, do som, do movimento, da frescura da sua cura, de ir lá fora ser lavado por dentro.
Mas hoje, o dia não esteve para ai virado. E tem andado a enconar durante meses.
Quando fica assim, eu fico como ele, sou como ele, o limiar entre o ser e o não-ser, a margem de mim, a seca.
Ele brinca com os meus sentimentos, enubla o meu pensamento, frusta todas as minhas tentativas de ser bem, alegre, solarengo, calorento, radiante, esperançoso, confiante.
E fico assim, parado, cinzento… Uma puta de merda de tempo…

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Toda a gente se parece com toda a gente

Toda a gente se parece com toda a gente. Não é só o meu pensamento estereotipador a atuar, é muito mais que isso.
As pessoas estereotipam-se a si mesmas.
Facto inegável é a nossa adoção (consciente ou inconsciente) de estilos idênticos aos do grupo com o qual nos identificamos: a fala; o andar; o vestir; entre outras coisas.
Mas incomoda-me. Angustia-me o facto de eu não conseguir não estereotipar.
Sinto que, por todos quererem ser identificados com algo, e, mesmo os que não têm essa intenção inevitavelmente o serem, a minha mente é forçada a estereotipar.
Por isso, ao andar pela cidade de Lisboa olho para todas as pessoas como se apontasse o dedo classificador: pobre; rico; extremamente pobre; novo-rico; classe alta; classe baixa; trabalhador; sem-noção; porco; beto; beta; meninos da mamã; convencido; convencida; arrogante; infeliz; cansado; bem-disposto; divertido; top-model; snob; estrangeiro; indiano; italiano; africano; lisboeta; nortenho; guna (chunga); dondoca; homossexual; empresário; empresária; macho-men; empreiteiro; trolha; desconfiado; inteligente; confiante; hip-hoper; confiante; simpático; humilde; secretária; intelectual; cota; manipulador; passivo; defensivo; toxicodependente; alcoólico; VIP; azeiteiro; personagem da televisão (Chuck Norris, Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Britney Spears, Angelina Jolie, etc); e mais todos os outros estereótipos inimagináveis.
Que se passa na minha cabeça quando vagueio por estas ruas lisboetas? Que se passa enquanto circulo de autocarro em autocarro, ou me insiro de metro em metro? Como fujo a este esteriótipo mental que me faz ver o mundo em quadrados? Quem me ajuda a montá-los?
O aglomerado urbano estendesse tão largamente que cria novos grupos e aumenta os grupos já existentes. É impossível ninguém se parecer com ninguém.
Deixo-me influenciar pela dimensão, pela mensagem que as pessoas através do aspeto querem transmitir, pelo reflexo que não conseguem evitar. Rotulo. Tento ver para além das evidências, mas não consigo. A imagem barra a minha perceção ao verdadeiro ser do Ser Humano. Essa caraterística que eu não me esqueço. Que aquele à minha frente é um Humano como eu, com dramas como os meus, pensamentos idênticos aos meus, alegrias e tristezas tão fortes como as minhas.
Enfim, dou por mim idêntico aos de mais. Mais um Humano sem Ser, ou mais um Ser sem Humano? Mais um qualquer absorvido pelas repetições banais.
Por isso penso: e eu, com quem me parecerei?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Faz um frio do caralho

Antes de mais queria-me agradecer a mim próprio e à minha namorada. Os únicos que votaram na sondagem “favas com chouriço”. Pelo menos já não estou forever alone, haja alguém que me contrarie.
Sendo assim, nem vale a pena fazer uma sondagem de quem gosta de sushi. Ainda pensei em fazer uma de quem gosta do frio, mas é melhor estar quieto.
Passei por aqui só para dizer que faz um frio do caralho. Daquele género de grizo que te griza os tintins (ou as maminhas) e que nos desperta a vontade (pelo menos a mim) de gritar P*** Q** P****. É que passo a porra do dia todo cheio de frio e ainda por cima, nesta contenção de custos, ninguém abre a porra do aquecimento. Finalmente, desde os meus tempos de criança, vi-me obrigado a usar ceroulas. Ceroulas! Devo estar a ficar velho!
Mas, engane-se quem pensa que é porque este ano faz mais frio. Não me venham cá com essa conversa do: “ah, este ano acho que faz mais frio e tal”. Não, não se passa nada disso. Todos os anos é sempre a mesma coisa, faz sempre um frio do camano. Infelizmente, este ano ando menos de carro. E no vai vem do cá para lá, e do lá para cá vou apanhando com as corrente gélidas e passo os dias a tremer em convulsões elétricas.
Bem, mas se o calor me faz sentir morno de monotonia, ao menos o frio faz-me sentir vivo de agonia.
Por isso, deixo-vos com Vivaldi - Four Seasons (Winter). Simplesmente espetacular.


P.S.: Criei um blog meio porc... desculpem, erótico. Passem por lá. http://rascunhosdalibido.blogspot.com/

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Faz-me favas com chouriço...

People, ando triste… Vocês pensam: “mas que está para aqui este gajo a dizer?! Isso já nós sabemos quando lemos os teus textos de cortar pulsos”. 

Não… não é nada disso. Eu não sou os meus textos, eles são só uma parte de mim. Eu escrevo um pouco dark porque gosto de chafurdar um pouco na guinha, para depois subir à realidade e esta me cheirar menos mal.

E vocês pensam: “mas isso é negativo na mesma”. E Eu respondo: “pois… ah…”. Não interessa… o facto é que eu estou triste, isto porque constatei que ninguém gosta de favas com chouriço. Pois é! Pois é! Estupefactos?... Não?... Exactamente, o problema é mesmo esse. Não tenho ninguém com quem partilhar o meu gosto por este prato. A não ser a minha mãe, mas ela gosta de coisas ainda mais esquisitas, não conta. A realidade é que eu, estando num grupo, quando digo que gosto de favas com chouriço, vejo que ninguém me acompanha.

Pá, sinto-me triste, principalmente porque o pessoal nem se dá ao trabalho de provar o prato e já diz que não gosta. Não sei porquê este preconceito negativo em relação às favas. Será porque dantes se metiam duras no bolo-rei, ou porque é comida de pobre?

Por isso, decidi fazer um estudo. Um estudo de grande interesse e importância para a comunidade em geral. Ou então só para mim… Decidi colocar neste blog uma sondagem a perguntar se gostam de favas com chouriço. Quero ver se ainda existe alguém, só para não me sentir só.

 Vá lá… não custa nada. Aposto que era pior se as tivessem de provar. Por isso, já sabem…

Entretanto deixo-vos com o grande clássico do rei do rock português “Favas com chouriço”. Oh… Desculpem… quero dizer “A pouco e pouco”.

Nota: Reparem só na expressão da gaja do vídeo clip. Género: “quero fugir daqui…” ou “mas que raio estou aqui a fazer?...”.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

MoreThan 100Words

OK pessoal… Alguém me pode dizer se o MoreThan 100Words é algum novo culto religioso? É que, sinceramente, não consigo entender. Sempre que entro no Facebook aparecem-me dezenas de actualizações desta coisa, e por vezes dezenas, de uma única só  pessoa.

Primeiro, já não bastava aquele pessoal que actualiza o estado durante 24horas ao dia: “Arrotei agora, posta isto se gostas”, “Amo a vida, posta se sentes o mesmo”.
Tipo!...
Já não me bastava a publicidade durante meia hora na televisão, os mil e um panfletos que me enfiam na caixa de correio, a Meo e a Zon sempre a bater à porta, a Sumol a dizer: “se não beberes Sumol um dia vais pensar que sair à noite é ir pôr o lixo na rua”; já não me bastava a igreja católica, a ortodoxa e a anglicana dizerem para não fazer sexo antes do casamento nem usar preservativo, ainda tenho que levar com dezenas de imagens da MoreTham 100Words. Com frases pirosas, lamechas e idealistas que pretendem ter a pretensão de verdades absolutas. Género: “Segue os teus sonhos, não o que as pessoas dizem”. Eheh… Adoro contra censos...
A ideia até está porreira, para quem gosta destas piquices. Está original e criativa. Mas, por favor. Não passem 24 horas, mais mil e uma vezes, a clicar gosto no raio das fotos. É que depois, aparece mil e uma vezes no meu feed de notícias algo que eu nem aprecio, que acho banal, foleiro e piroso, como a publicidade da Optimos, TMN, ou Vodafone. E se dantes já não gostava, de repente, passo a detestar.
Por isso pessoal, se querem criar um novo culto religioso, não o façam em minha casa, e por favor não me venham cantar à porta todos os dias.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Danos colaterais

Este está optimista,
Este foi ao pântano,
Este olha para baixo,
O pequeno foi para casa,
Este ficou incerto.
Cheiros se revoltam ao longo do meu… de mim. Paro, não vejo. O cinzento encobre. Tudo é o mesmo. Só uma rua cheira de dejectos.
Sombras colam-se aos prédios, nos seus muros, nas suas portas, nos seus passeios. Confundem-se. Confundem-me. Iludem-se que não estão. Fingimos que não são.
À parte de algo à parte.
Piso em merda, cheiro a merda, enjoa-me a urina que escorre para o esgoto. Ao lado comem, ao lado… sofrem, ao lado morrem…
A podridão cresce e apodrece, e eu esqueço. Lavo-me, perfumo-me, distraio-me, a urina está cá, só não me cheiro.
Este está optimista,
Este foi ao pântano,
Este olha para baixo,
O pequeno foi para casa,
Este, encosta-se a um beco…


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Ruído

Em momentos de nenhum descarrego a monotonia e cansaço praticando o nada. Esses momentos começam com a minha chegada a casa, mortinho por me sentar no fundo e acolhedor sofá.

Normalmente a luz florescente está gasta e preenche a sala com uma penumbra baça. Ligo a televisão e passo a rasgar pela multi-apelativa publicidade dos canais generalistas. Esfregam-me irritantemente a felicidade no focinho e tentam-me emocionar com reflexões profundas, que objectivam querer-me fazer erguer o seu produto como uma bandeira.

Passo pelo novo método publicitário que utiliza humoristas conhecidos, insiro-me pelos noticiários e pelo humor irónico e sarcástico da política. Um pouco de crise aqui, um pouco de crise acolá, um pouco de crise acolá-cá e já me parto a rir com a insustentabilidade e irrealidade do gozo.
Sentado no sofá percorro em zapping reality shows, mamas e cús, Dr. Phil, Oprah, Querido Mudei a Casa, Tyra, Masterchef, Biggest Loser, CSI Miami, Las Vegas e Nova York, encho-me com os adolescentes vazios da MTV, passo pelas leis da natureza do Nacional Geografic e termino novamente numa publicidade de tampões da RTP 1.
Foi uma boa prática do nada, que em nada me satisfez. Sendo assim, levanto-me do meu amolgado lugar no sofá e passo para o meu amolgado lugar na secretária. Desligo a TV e ligo o PC. Passo do zapping para o scrolling e mergulho no facebook.
Da publicidade impessoal e industrial passo para a publicidade pessoal e caseira. Scrolo lentamente à procura de alguma informação, mas as vidas repetem-se umas a seguir às outras. Os comentários, ou se tornam demasiado pessoais, ou demasiado fictícios e não consigo escolher que vidas ver. Cusco aqui, cusco ali e culpo-me por me estar a tornar como as vizinhas cuscas que detestava.
É tanta informação a aparecer no facebook, actualizações de estado, fotografias, vídeos, músicas, likes, grupos, partilhas, aquisição de amigos, mais carradas e carradas de comentários que não interessam para nada, que se torna tudo ruído. Uma estática constante, formada por milhares de pontos de informação.
Sigo adiante num hipnotizante scrolling. Procuro desvendar algo interessante, mas depressa me canso e perco o interesse nos pensamentos das vidas das vidas alheias. É demasiado ruído para os meus olhos.
Cansado desligo o PC. Saio para a varanda e olho a noite já chegada. Acendo um cigarro… pensativo… e fico a ouvir a chuva a cair. Finalmente… um ruído que me agrada.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O que é que justifica a violência?

Violência gratuita, espontânea, apreciada, exposta e difundida. Este é caso da “jovem espancada em Lisboa”. Estranho, mas não tão estranho.
Porquê? Primeiro, porque para mim a violência é sempre incómoda. Faz-me sentir nauseado, acelerado, alerta. Imagino a dor do agredido, transfiro-a para mim revendo-a novamente na pessoa, e sinto-me mal, podre.
Segundo, actos como este sempre aconteceram. Quantas vezes já vi porradas e espancamentos piores. A quantos amigos meus já não aconteceu isto e com muita sorte não me aconteceram a mim. Pelo menos nada de grave. Na minha escola era o “pão-nosso do dia-a-dia”. Agora, a única coisa nova nesta violência é a sua exposição nas redes sociais.
Mas, não é sobre isto que quero falar. Quero é falar numa questão que me surgiu ao ver um comentário de uma psicóloga na SIC, e sobre um comentário de uma colega das agressoras.
Obviamente que nos noticiários e na televisão tinham que colocar pessoas a discutir o caso. A dar de seu parecer, a rotular os agressores de malucos, “geração rasca”, jovens sem valores. A julga-los, para todos ficarmos mais aliviados e com o sentido de justiça preenchido. Foi neste campo que apareceu a psicóloga, a tentar fugir deste normal pensamento humano de popular linchamento. Dizendo que não estava ali para julgar ninguém, que os jovens que agrediram também são humanos.
 Infelizmente, ao se tentar desviar do julgamento e demonstrar imparcialidade cometeu o erro de não se exprimir correctamente. Principalmente quando disse que, ao ver as mensagens dos agressores e dos colegas no Facebook compreendia o propósito da sua agressão. Isto, aos olhos de quem não sabe ler nas entrelinhas e não entende que compreensão é diferente de aceitação, não vai parecer nada bem.
Outro ponto, ainda mais engraçado, que me fez relembrar desta história toda, é o seguinte. Hoje ao ver o telejornal, uma das colegas das agressoras afirmava: “elas agrediram porque ela chamou nomes e insultou a mãe de uma e porque traiu “não sei quem””. Foi aqui que me deu um flash nos neurónios.
É isto justificação para bater e agredir? Afinal, até que ponto se pode justificar a violência? É a simples humilhação por palavras razão para responder com punhos e estaladas? É porque se for, daqui a pouco mais vale pegar numa arma e matar quem que chateia, ou simplesmente tortura-lo, humilha-lo e domina-lo, realçando o meu poder sobre ele.
Até certo ponto eu compreendo, mas não aceito. Nunca aceitarei justificação alguma para a violência, só em defesa da integridade física que ponha em risco, ou não, a própria vida. Nada justifica a violência, nada! Mas, e se…?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Um ser fútil

Existe uma coisa que me incomoda, me põe os miolos a ferver e o sangue a girar. Essa coisa é a futilidade. O fútil.
Não, não são as pessoas fúteis, nem os assuntos fúteis que me metem repulsa, ou nojo, ou raiva. O que me chateia é definição da palavra fútil e o conceito de “pessoa fútil”.
Vejamos, segundo o Dicionário Universal da Texto Editora de 2002, fútil é um adjectivo que deriva do latim “futile” e significa frívolo, vão ou leviano. Até aqui nada de mais.
Ora, indo ver ao Dicionário de Portugues-Latim da Porto editora de 2001, já se consegue acrescentar mais alguma coisa: “Futile (futilis) adv. Inutilmente, em vão”; “Futilis, e (fundo) adj. 1. que deixa escapar o que contém, que não retém, que não guarda; 2. frágil; 3. vão, frívolo, fútil, sem autoridade”.
Mas, por mais que eu procure no dicionário, não encontrarei lá o conceito de “pessoa fútil”. Sendo assim, juntando os significados anteriores e reflectindo nos contextos em que a expressão é utilizada, diria que “pessoa fútil” é: sujeito que se ocupa com inutilidades e as sobrevaloriza; que não analisa a profundidade dos assuntos que o rodeiam limitando-se ao superficial; por isso, é frequente cometer erros de análise precipitados.
Penso que esta é uma definição aceitável. Uma definição que consigo aplicar a algumas pessoas. Infelizmente e habitualmente, quando aplicada esta expressão em contexto usual, esta vem carregada com uma conotação negativa, estereotipada e preconceituosa. Ou seja, quando determinado assunto, ou modo de viver, é para nós fútil ou inútil, rotulamos determinado sujeito de fútil. Quase como se ele fosse burro, como se a sua alma fosse oca.
E é isto que me incomoda. Esta definição corriqueira de “fútil”, a capacidade indiscriminada de considerar alguém fútil. E eu questiono-me, existirá mesmo alguém fútil?
O que é inútil para mim é de extrema importância para outro, e vice-versa. O bom, mau, bonito, feio, útil ou inútil são conceitos subjectivos, dependem individualmente de sujeito para sujeito. São quase como conceitos “indiscutíveis”.
Sendo assim, continuo a perguntar, haverá mesmo alguém fútil, oco, sem profundidade de mente e alma? Quem é que gosta de ser chamado de fútil? Alguém se quer considerar assim?
Acho que um ser humano é complexo de mais para poder ser considerado de fútil. Talvez classifiquemos alguém assim, devido à nossa incapacidade de entender e compreender verdadeiramente o outro. Temos que ver que “cada cabeça um mundo”, ou “uma cabeça milhares de mundos”.
Por isso, é preciso ter cuidado quando classificamos alguém de fútil. Esta pode ter como base uma análise precipitada e superficial do sujeito que está à nossa frente. E isso sim, isso seria verdadeiramente uma análise fútil.