quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Fatura?...


Por vezes é impossível contornar o mal. Evitar o erro dos outros. Que um amigo esmurre a cabeça na parede. Quantas vezes já avisei: Não vás por ai, não adiantando de nada. Quantas vezes já me avisaram: Por ai vais-te enterrar, mesmo assim, lá fui eu para o auto-enterro. Faz parte da vida, do crescimento, ou do que lhe queiram chamar.

No entanto, quando falo desta incapacidade para reverter o mal dos outros, estou a falar do mal por mal, do erro consciente, deliberado e propositado. Não no erro da inocência, como quando uma criança mete a mão no fogo, por não saber que queima. O que pretendo falar é sobre outra coisa e sobre as implicações reais desse comportamento nato. Para isso, dar-vos-ei um exemplo pessoal.

Desde tenra idade fui um aluno medíocre, preguiçoso e pouco maduro para poder atingir certas matérias. Como resultado as negativas sempre se acumularam. Passei sempre de ano com duas ou três negativas. A português, a matemática e a inglês era um “0-“ (zero à esquerda). E isto desde a quarta classe.

Lembro-me perfeitamente das minhas primeiras negas, minha mãe ficou tão desiludida que me deu um enxerto de porrada. Ok, até pode não ter sido um “enxerto”, mas como qualquer criança com 9 anos de idade maximizei o acontecimento. Por isso, o pouco pareceu muito.

A partir dai, sempre que apresentava uma negativa, minha mãe gritava, berrava, ralhava e eu ganhava umas bofetadas. Independentemente disto, continuava a minha má progressão escolar. Apesar da minha mãe, pelo reforço negativo, me tentar fazer bom aluno, não conseguiu. Aliás, a certa altura comecei a mentir sobre os testes e a esconde-los. Ou seja, a situação piorou.

Cá está, o ponto fulcral do que quero transmitir. Eu, mesmo sabendo que fazia mal em mentir, preferia-o em vez das estaladas. E, por mais que alguém me viesse dizer para não mentir, continuaria na mesma. Faz parte da natureza humana, escolher uma desprazer menor para evitar um desprazer maior. Levando o exemplo ao extremo, é matar para não ser morto.

Chegando onde quero, à política. Imaginem o governo como a minha mãe e o povo como eu. O governo bate nos contribuintes, aumenta os impostos, corta suicídios, corta aqui, corta ali. Famílias desempregadas, dividas acumuladas, empresas fecham, ordenado diminui, preços aumentam. Ainda por cima, a maioria dos contribuintes sente que não mereceu por tal estalada. Então, o que é que o povo (como eu quando criança) faz? Exatamente, mentir e esconder.

Por isso, senhores políticos, bem-vindos à corrupção que tentaram diminuir, ao trabalho clandestino, à obscuridade. Se é com fatura ou sem fatura, já não será preciso perguntar, aliás, já não é.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Quem é que nos fodeu a todos?




Já que está tudo a falar de Crise, Troika, Passos Coelho, TSU, Orçamento de Estado, do habitual Está Tudo Fudido, eu pensei, porque não eu escrever sobre estas merdas, possa ser que o pessoal finalmente se interesse a ler os meus textos. 

Ah? Que tal a ideia?

Sendo assim, passando à frente da minha própria crise pessoal de ideias, palavras e criatividade, passo a perguntar: quem é que nos fodeu a todos?

E é aqui, neste busílis, que tropeço vezes sem conta. Neste engodo entrelaçado de ladainha politica que a televisão me chuta todos os dias, quando sucessões de governos se defendem culpando o governos anteriores a si pelo sucedido, quando políticos repetem discursos, mentiras, comportamentos, atuações, posturas, ideias, falácias, etc, etc, etc. Falam mal disto e daquilo e daqueloutro. E soluções? Onde?

Bem, depois de ouvir esta cagada toda, da qual já estou cansado, mesmo só tendo 28 anos, depois de me arrancarem a fé no futuro, depois de desesperar com a Crise e ver o orçamento pessoal a ficar reduzido, depois de ter vendido o carro, porque o autocarro é mais barato, passamos para outro ato televisivo surreal, os anúncios da Cofidis. Aqui, apresenta-se uma senhora, bonita, meia-idade, classe média-alta, a dizer que fez um crédito na Cofidis. E com que objetivo fez esse crédito? Ora, nada mais, nada menos, tcham-tcham: para fazer uma sala de cinema em casa.

WTF? Mas que caralho é esta merda? Andam a gozar comigo? O país de tanga, um gajo a sufocar em crise e vêm-me com anúncios destes? Uma sala de cinema em casa!!??

Ó Cofidis, ó Consumismo, ó Crédito, digam-me lá, quem é que nos fodeu a todos?


“-Pá, esquece lá isso, vamos ver a casa dos segredos.”




sexta-feira, 6 de julho de 2012

donzela


surge o sol pela neblina cerrada
ouço as ondas
batem os sons
na madrugada
confundo o azul
o céu
misturo-o na areia da praia
e o branco
o mar
conflui-se no ar

olha, a donzela à janela
rosto vidrado
olhar abstrato
no horizonte de si
oh, espera só mais um pouco
inquieta
teu peito
na saudade de mim

um pássaro que voa
uma,
longa,
brisa
do ar…
a espuma que arrefece na areia de uma onda
há mar e mar
há que ir, e voltar…

segunda-feira, 7 de maio de 2012




Para quem ainda não sabe,

É com muito prazer que anuncio o meu primeiro livro “Colecção Obsessiva de Sentimentos”, publicado através da Corpos Editora, ilustração Ana Lógica.
Trata-se de um conjunto de poemas, crónicas e contos existencialistas. O seu lançamento terá lugar na Casa do Alto, dia 19 de Maio, pelas 19 horas.
Terei todo o gosto em vos receber.
Confirmem através do meu email ou do link https://www.facebook.com/events/377235515661201/.

Cumprimentos,
Mário Viterbo e Silva


terça-feira, 1 de maio de 2012

Complexo


A saliva escorre pelo queixo.
A fome bate nas paredes estomacais.
Dentes amarelos, castanhos, verdes, bafo a vermes.
Guincha naquele quarto, naquele cubículo, meio metro quadrado.
Preso, encurralado.
Quer matar, quer comer, quer foder.
Quer, só por querer…
Sentir a vida do outro a escoar, o orgulho a se esvair, o medo, a morte a subir.
Grunhido após grunhido esporra,
Enche de seiva a masmorra.
Bate, cabeceia, esmurra, planeia.
Naquele espaço, sonha, baixo, o dia da ceifa.

O mundo movesse, gira constantemente, agitadamente, ignorantemente.
Esquecendo-se, mentindo-se,
Nada aberra, no oculto da serra.

Os locais sabem, tremem, rezam, esperam, calam, desesperam.
Protegem-se com o sangue do cordeiro.
Mas, nada pára os guinchos do bezerro negro, nascido da imaculada virgem violada.
Sacodem as árvores, penetram nas casas, enlouquecem a alma.

fujam
fujam
os muros estão a ficar gastos.

ou matem
matem
aclamem-lhe a cólera tingida.

Seus braços, retorcidos, esgadelham as costas com arranhares repetitivos.
Crava as unhas na pele grossa, chagas putrefactas, espasmos estereotipados,
                                                                                             Olhos revirados.
Quer…
Dêem-lhe…
É imortal.
Voltaria,
outra vez,
novamente,

mais e

mais e

fome.

Por isso, matem por ele, dilacerem por ele, cortem-se por ele.
Alimentem os Eus, o Complexo Monstro premente,
Que geme na serra da nossa mente.

Despertar para dentro de mim


…preto…
…branco…
…preto...
…como será despertar de um sonho? Disso eu lembro-me. Mas…
…branco…
…preto…
…cinzento…
…como será despertar do real?
Talvez… talvez seja como acordar com ressaca.
A típica dor de cabeça, a boca seca a saber a sarro, a aguçada alfinetada da sensibilidade à luz.
Mas isso… Bem, isso é um acordar para a realidade depois de um sonho mal construído.
Agora, um acordar da realidade é algo… Pelo menos o acordar da minha realidade. É assim… como a ressaca, mas a dor… essa não é na cabeça, a secura a saber a sarro não se limita à boca. A luz, não se espeta como agulhas pelos olhos, perfura-me o ser num local fora de mim. E, o som… o som é… É como o chiar de centenas de melros, penetrando lentamente, no nosso torpor sossegado.
E foi assim. Foi assim que me vi. Foi assim que me senti, lentamente, a despertar para dentro de mim.
A primeira coisa foi o piar imperceptível dos melros. O resto, veio por acréscimo.
Senti-me pesado, bêbado, charrado, numa bad trip.
Mas… não era eu.
Aliás, não era só eu. Todo o espaço confluía de mim para mim, num pesado, vertiginoso, sufocante movimento. O frio do chão começou-me a incomodar. O cheiro… Cheiro arranhado de caca de pássaro.
Abri os olhos. Levantei-me tropegamente.
Pensei… Vi… Imaginei…
Cinzento…
Cercava-me um género de pombal. Caca de pássaro estendia-se por todo o lado. Manchava tudo de branco e de preto, resultando numa mescla sépia, peganhenta, fedorenta.
Os vidros erguiam-se, desde a base até ao telhado, manchados num tumulto de cagadelas que me impediam de ver lá para fora.
O tecto, de acrílico, misturava-se na cor suja do céu, aprofundava-o. Um céu preto, branco, cinzento, sulcado e desenhado por centenas de melros, pousados, pendurados nas traves horizontais do pombal. Chiavam ininterruptamente, martelando irritantemente, penetrantemente. Cada vez mais alto num agudo crescente.
Franzi a testa. Levei as mãos às têmporas.
Lentamente percebi a irrealidade estranha que me cercava.
Sustive a respiração.
Olhos, milhares de olhos. Pontos negros, fixos, cegos.
Miravam-me. Escrutinavam-me.
Apesar de todos estes olhos piarem num estrondoso grito, nenhum bico se movia, nenhum pássaro reagia. E eu… Agonia.
Foda-se!...
Pensei...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Para ti,

Para ti,
A quem nunca mais disse nada,
Perdoa-me
Ter virado costas,
Seguir centrado um outro trilho.
Sou assim, desculpa…
Parece que não me importo,
Parece que me esqueço.
Garanto-te, só pareço.

Lembras-te?
Risos e sorrisos.
Abraços fortes e precisos.
Comunicação abstracta, telepática.
E o olhar,
Repouso de desabafos imprecisos.

Tu,
Como quem diz eu,
Oleador do ego.
Sempre serás mais do que uma emoção.

Para ti,
Sensibilidade que me inflamas,
A quem nunca mais disse nada.
Quando um dia, por acaso, te vir,
Reconhecer-te-ei,
E um simples olá de direi.

Até lá, aqui, comigo,
Intimo Amigo.


A Subjectividade do Síndrome de Peter Pan


A criança que existe em mim, quase sempre, domina o adulto que sou.
Manipula-o.
Por causa disso não socializo, não saio, não me divirto.
Quando isso acontece, ela birra e desespera.
E, quando todos os adultos se encontram no formalismo de conversas intelectuais, ausentes de sentido pessoal algum, logo fico com uma incrível pressão cerebral, que me faz peidar verbalmente.
Arroto um vocábulo estranho pela goela.
Ou será pelo rabo?...
Franzem os adultos as orelhas, fazem moucos narizes.
Piadas… Piadas… Estupidas e despropositadas. Gargalham só na minha mente.
Ninguém alcança o adulto subentendido nelas.
Crianças preocupadas de mais com a sua adultez, com a formalidade de comportamento adequado moralmente.
E, isso é a reacção às minhas graças, porque a reacção a comentários sérios é de um nível muito mais evoluído de eloquência. Desde respostas do género “sim porque sim” e “não porque não”, até aos braços de ferro emocionais de melhor argumento.
Fico ainda mais criança, perplexo perante este enredo.
Crianças, a brincar à razão.
O meu adulto finge que não entende…


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ectoparasita hematófago


O medo é uma carraça que se gruda à pele e me chupa.
Infecta-me com ideias
Parasitas. 

Febres, suores frios, fraqueza, delírios.
Arritmias compassadas,
Artrite e dores inchadas.
Absorve o raciocínio,
Descontrola o instinto. 

Incha guloso e ávido, o carrapato.
Caio árido, por terra fatigado.
Como é que uma coisa tão pequena,
Se apodera assim do sistema.
O espirito lato, crente,
Desilude-se por ver a carne em rente. 

Carraça maldita, feia, troglodita!
Absorves a ilusória arrogância com que vivo,
E mirro. 

Esperança! Esperança!
AHAHAHAHAH!
Um resto de loucura alcançada. 

Procurar, procurar, sobreviver, encontrar-te,
Naquela fissura escura da minha pele.
Pegar numa pinça,
Bicha esquisita, verto-te agora álcool em cima,
Arranco-te, corto-te,
Queimo-te a cabeça,
Agarrada à zona endémica. 

Depois…
Uns paracetamóis, antibióticos e mais uns sais.
Para não pensar, em paraideias. 

Da próxima vez que me saltares em cima, bicho,
O sistema imunológico vai-te reconhecer,
E eu não sofrerei mais, desses teus beijos mortais.
Estarei protegido dessa tua doença vampiresca,
Pelos glóbulos loucos de nascença.



Catarse da morte


Antes que eu morra,
Põe-me um cigarro na boca. 

Não adianta, não vale a pena,
Não chores a me confortar. 

No meu corpo, não me consigo mover,
Vegetativo, trôpego.
Por isso, tens de ser tu a tirar o maço,
A pousar-me o “very-light”, aqui, no lábio.
Acende o isqueiro.

Mas primeiro tens que o montar.
No bolso esquerdo está o  “euta-” ,
No direito o “-nasia”,
Junta os dois que eu inalo… 

Relaaaaaaaaxo 

Tu sabes, tal como eu sei,
Tanatos, ai vem… 

Acompanha-me…. Fica…
Neste fumo que nos amortalha. 

Sente-o
Pela garganta
Escorregando
                        Em
                        Doce
                        Mel
Sua voz bafienta. 

É assim!
É assim que se o enfrenta.
Com uma passa de coragem laça, com um último prazer,
A catarse de morrer!


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Sobre mim


Sobre mim: cai o peso de toda uma conotação. Um estereótipo que imagino quando olho para os olhos que me fixam, que me obrigam a me fixar.
Por isso, jamais serei e saberei o Real de Mim mesmo, porque sou o que os outros pensam, confundido pelo que me levam a indagar.
E porque a Realidade se ofusca quanto mais afastadas forem as perspectivas, busco-me por detrás do olhar dos outros, nunca perdendo nunca as minhas.
Mesmo assim, tudo não passa e sempre será, uma mer(d)a estereotipia.
...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Insónia



Sete e meia da manhã.
Porra porra porra porra! Vá lá por favor vá lá por favor!
Novamente durmo mal outra vez novamente.
Doí-me o lóbulo frontal corrói-se-me o estomacal ventre.
Não estou descansado e nada me deixa descansar.
Alguém, algo, alguma coisa, faça-me parar.
Mas porque porra quando durmo, me vem sempre à cabeça, não a Vida mas o dia-a-dia?
Porque a Vida é algo muito mais lato, metafisico, abstracto.
O outro é porqu’é simples, e baseia-se no prático.
No entanto, já não sei o que penso, ou o que devia pensar, e confundo-me em sentimentos sobre o que devia raciocinar.
Revoluteio-me, na cama, constantemente me maço, com a almofada.


Entra o sol no meu quarto, destapando as cores que se escondem, e olho para o meu pálido lençol, atentamente, divagando em nada.
Na sua brancura observo um ponto, um ponto que aos poucos se insinua.
Parece-me mexer-se…
Foco-me, nele, e tento entender o que é. O que era suposto não estar cá lá, mas está…
Exalto-me de nojenta repulsa. Uma larva de mosca, gorda, castanha, asquerosa, arrasta-se como uma víscera atrofiada, enroscando-se nas suas espirais.
Meu sistema digestivo contrai-se numa dor enjoativa.
Percepciono um ligeiro formigueiro nas pernas.
Entro em pânico por imaginar o que significará e descubro-mo instantaneamente.
Confusão!, medo!, sufoco!
Compelem-se larvas pela minha pele, mexem-se em buracos na carne dos meus pés, nas minhas coxas, no abdómen, no peito.
Comem-me...
Aceleram, lentamente, a minha putrefacção.


Acordo com um espasmo.
Doí-me o estômago…
Doí-me a cabeça….
Em manhã cedo,
Ainda cansado…


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Eu, onde estás?...


Eu gostava…
Que a chuva sempre caísse assim…
Morna dentro de mim…
E afastasse esta…
Melancolia repetitiva. 

Eu gostava…
De não voltar atrás…
E caminhar para onde tu estás… 

Meu Eu fora de Mim…


quarta-feira, 21 de março de 2012

Por ti


Espero por ti,
Não te preocupes.
Estarei lá, naquele lugar
Onde o Sol raia e aquece
E a Esperança sempre se reflecte. 

Lá, ali, aqui
Neste dourado espaço,
Espero sem pressas,
Com um sorriso,
Com um abraço,
Com um riso de regozijo,
Por saber que esperas também
Este destino. 

Tu, que caminhas pela sombra,
Que por razões só tuas escolhes o vento frio da solidão.
Sabe,
Que eu nasço sempre com o Sol,
Quente, para repousares,
Para te amar sem me amares.


sábado, 3 de março de 2012

Faça-se chuva!

O meu humor flutua ao sabor do tempo.
Não percebo. Não sou eu que o domino. Não. Sou apenas um mero espectador sem forças para me impor.
Se o sol aparece sou pateticamente feliz. Se as nuvens se insinuam sou estupidamente triste.
Nem adianta lutar. Tentar impingir-me a mim mesmo alegria em céu negro e escuridão em céu aberto.
Não me governam os Deuses, ou o tolo do destino (porque não acredito em nenhum deles). Mas a madrasta da natureza domina-me. E hoje, passou o dia todo a ameaçar-me. A prometer que me daria uma porrada de chuva.
Podia cair o Carmo e a Trindade, chover sapos, bolas de gelo, meteoros, podia chover a cântaros, grossas gotas, encher tudo, molhar tuto, arrastar toda a depressão pelo esgoto abaixo.
Mas não. Nem chove nem deixa chover.
E eu aqui, com vontade da molha, da água a escorrer-me pelos cabelos, da nostalgia, do enredo, do som, do movimento, da frescura da sua cura, de ir lá fora ser lavado por dentro.
Mas hoje, o dia não esteve para ai virado. E tem andado a enconar durante meses.
Quando fica assim, eu fico como ele, sou como ele, o limiar entre o ser e o não-ser, a margem de mim, a seca.
Ele brinca com os meus sentimentos, enubla o meu pensamento, frusta todas as minhas tentativas de ser bem, alegre, solarengo, calorento, radiante, esperançoso, confiante.
E fico assim, parado, cinzento… Uma puta de merda de tempo…

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Credo do Ego


Creio no Ego,
Eu Todo-Poderoso, Criador da Vontade,
De todos os Comportamentos.
Creio em uma só Motivação, Egoísmo,
Filho Uno do Ego, nascido do Self antes de tudo o resto;
Eu do Eu, Altruísmo do Altruísmo,
Eu verdadeiro do Eu verdadeiro;
Não gerado, não criado, inerente ao Self.
Para Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, Seres, e para nossa sobrevivência surgiu,
E encarnou pelo poder da evolução
No seio da Mente, e Se fez Vontade.
Também por nós foi mascarado sob a Negação,
Padeceu e foi recalcado.
Ressuscita sempre, conforme escrito no ADN;
E sobe à Psique,
Onde se senta ao lado do Ego;
De novo há-de vir em Sua defesa, para buscar o Bem e o Mal;
Pois Seu caminho não tem fim.
Creio na Vontade Primordial,
Centelha que dá a vida, que procede do Eu e do Egoísmo;
E com o Eu e o Egoísmo é adorado e glorificado;
Ele que fala pelos Condicionalismos.
Creio nesta Vontade una, pura, universal e hereditária.
Professo um só início, para admitir que Altruísmo, é só um aspecto do Egoísmo.
E espero a ressurreição da verdade
E a compaixão que há-de vir.
Ámen.



sábado, 25 de fevereiro de 2012

Toda a gente se parece com toda a gente

Toda a gente se parece com toda a gente. Não é só o meu pensamento estereotipador a atuar, é muito mais que isso.
As pessoas estereotipam-se a si mesmas.
Facto inegável é a nossa adoção (consciente ou inconsciente) de estilos idênticos aos do grupo com o qual nos identificamos: a fala; o andar; o vestir; entre outras coisas.
Mas incomoda-me. Angustia-me o facto de eu não conseguir não estereotipar.
Sinto que, por todos quererem ser identificados com algo, e, mesmo os que não têm essa intenção inevitavelmente o serem, a minha mente é forçada a estereotipar.
Por isso, ao andar pela cidade de Lisboa olho para todas as pessoas como se apontasse o dedo classificador: pobre; rico; extremamente pobre; novo-rico; classe alta; classe baixa; trabalhador; sem-noção; porco; beto; beta; meninos da mamã; convencido; convencida; arrogante; infeliz; cansado; bem-disposto; divertido; top-model; snob; estrangeiro; indiano; italiano; africano; lisboeta; nortenho; guna (chunga); dondoca; homossexual; empresário; empresária; macho-men; empreiteiro; trolha; desconfiado; inteligente; confiante; hip-hoper; confiante; simpático; humilde; secretária; intelectual; cota; manipulador; passivo; defensivo; toxicodependente; alcoólico; VIP; azeiteiro; personagem da televisão (Chuck Norris, Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Britney Spears, Angelina Jolie, etc); e mais todos os outros estereótipos inimagináveis.
Que se passa na minha cabeça quando vagueio por estas ruas lisboetas? Que se passa enquanto circulo de autocarro em autocarro, ou me insiro de metro em metro? Como fujo a este esteriótipo mental que me faz ver o mundo em quadrados? Quem me ajuda a montá-los?
O aglomerado urbano estendesse tão largamente que cria novos grupos e aumenta os grupos já existentes. É impossível ninguém se parecer com ninguém.
Deixo-me influenciar pela dimensão, pela mensagem que as pessoas através do aspeto querem transmitir, pelo reflexo que não conseguem evitar. Rotulo. Tento ver para além das evidências, mas não consigo. A imagem barra a minha perceção ao verdadeiro ser do Ser Humano. Essa caraterística que eu não me esqueço. Que aquele à minha frente é um Humano como eu, com dramas como os meus, pensamentos idênticos aos meus, alegrias e tristezas tão fortes como as minhas.
Enfim, dou por mim idêntico aos de mais. Mais um Humano sem Ser, ou mais um Ser sem Humano? Mais um qualquer absorvido pelas repetições banais.
Por isso penso: e eu, com quem me parecerei?

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Män som hatar kvinnor - Os Homens que Odeiam as Mulheres

Para quem ainda não sabe estreou um filme fantástico, que eu ainda não vi: “Os Homens Que Odeiam as Mulheres”. Adaptado do famoso romance de Stieg Larsson, ou talvez imitação deste filme “Män som hatar kvinnor”. Este sim, realmente baseado no livro. E como podem ver, irrita-me o copy paste Americano com pretensão a artigo original, de filmes Europeus e Asiáticos.
Apesar de ser sueco “Män som hatar kvinnor” é definitivamente um grande filme. Atrevo-me a diver que chega a ser tão mítico como o “Silêncio dos Inocentes”, o “Figth Club”, o “Irreversivel”, “Taxi Driver”, and so on.
Infelizmente não sou crítico de cinema, nem percebo nada de técnicas cinematográficas, por isso minha opinião é o que é, de mero consumidor. E como consumidor, satisfiz-me com o ambiente cinzento, negro e violento do filme.
Por isso não o perca, num torrent mais perto de si.
Outro filme que aconselho a ver, é o “Trust”. Um filme normal, com uma mensagem repetitiva, que nunca é de mais repetir. Mas o que verdadeiramente gostei nele foi o retracto bem elaborado do processo psicológico emocional (negação) da rapariga (vitima). Vale a pena ver como este se pode processar.

Por último, para quem anda fudido da vida (como eu), para quem anda fudido com a crise (como eu), para quem começa a ter raiva por ter nascido na merda desta mentalidade provinciana, egoísta, invejosa, cusca, beata, interesseira, portuguesa, em que cada qual tem o seu quintal e ninguém dá nada a ninguém; fica aqui um pouco de empowerment de TEDxYouthBraga com Miguel Gonçalves.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Faz um frio do caralho

Antes de mais queria-me agradecer a mim próprio e à minha namorada. Os únicos que votaram na sondagem “favas com chouriço”. Pelo menos já não estou forever alone, haja alguém que me contrarie.
Sendo assim, nem vale a pena fazer uma sondagem de quem gosta de sushi. Ainda pensei em fazer uma de quem gosta do frio, mas é melhor estar quieto.
Passei por aqui só para dizer que faz um frio do caralho. Daquele género de grizo que te griza os tintins (ou as maminhas) e que nos desperta a vontade (pelo menos a mim) de gritar P*** Q** P****. É que passo a porra do dia todo cheio de frio e ainda por cima, nesta contenção de custos, ninguém abre a porra do aquecimento. Finalmente, desde os meus tempos de criança, vi-me obrigado a usar ceroulas. Ceroulas! Devo estar a ficar velho!
Mas, engane-se quem pensa que é porque este ano faz mais frio. Não me venham cá com essa conversa do: “ah, este ano acho que faz mais frio e tal”. Não, não se passa nada disso. Todos os anos é sempre a mesma coisa, faz sempre um frio do camano. Infelizmente, este ano ando menos de carro. E no vai vem do cá para lá, e do lá para cá vou apanhando com as corrente gélidas e passo os dias a tremer em convulsões elétricas.
Bem, mas se o calor me faz sentir morno de monotonia, ao menos o frio faz-me sentir vivo de agonia.
Por isso, deixo-vos com Vivaldi - Four Seasons (Winter). Simplesmente espetacular.


P.S.: Criei um blog meio porc... desculpem, erótico. Passem por lá. http://rascunhosdalibido.blogspot.com/

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Faz-me favas com chouriço...

People, ando triste… Vocês pensam: “mas que está para aqui este gajo a dizer?! Isso já nós sabemos quando lemos os teus textos de cortar pulsos”. 

Não… não é nada disso. Eu não sou os meus textos, eles são só uma parte de mim. Eu escrevo um pouco dark porque gosto de chafurdar um pouco na guinha, para depois subir à realidade e esta me cheirar menos mal.

E vocês pensam: “mas isso é negativo na mesma”. E Eu respondo: “pois… ah…”. Não interessa… o facto é que eu estou triste, isto porque constatei que ninguém gosta de favas com chouriço. Pois é! Pois é! Estupefactos?... Não?... Exactamente, o problema é mesmo esse. Não tenho ninguém com quem partilhar o meu gosto por este prato. A não ser a minha mãe, mas ela gosta de coisas ainda mais esquisitas, não conta. A realidade é que eu, estando num grupo, quando digo que gosto de favas com chouriço, vejo que ninguém me acompanha.

Pá, sinto-me triste, principalmente porque o pessoal nem se dá ao trabalho de provar o prato e já diz que não gosta. Não sei porquê este preconceito negativo em relação às favas. Será porque dantes se metiam duras no bolo-rei, ou porque é comida de pobre?

Por isso, decidi fazer um estudo. Um estudo de grande interesse e importância para a comunidade em geral. Ou então só para mim… Decidi colocar neste blog uma sondagem a perguntar se gostam de favas com chouriço. Quero ver se ainda existe alguém, só para não me sentir só.

 Vá lá… não custa nada. Aposto que era pior se as tivessem de provar. Por isso, já sabem…

Entretanto deixo-vos com o grande clássico do rei do rock português “Favas com chouriço”. Oh… Desculpem… quero dizer “A pouco e pouco”.

Nota: Reparem só na expressão da gaja do vídeo clip. Género: “quero fugir daqui…” ou “mas que raio estou aqui a fazer?...”.