quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Män som hatar kvinnor - Os Homens que Odeiam as Mulheres

Para quem ainda não sabe estreou um filme fantástico, que eu ainda não vi: “Os Homens Que Odeiam as Mulheres”. Adaptado do famoso romance de Stieg Larsson, ou talvez imitação deste filme “Män som hatar kvinnor”. Este sim, realmente baseado no livro. E como podem ver, irrita-me o copy paste Americano com pretensão a artigo original, de filmes Europeus e Asiáticos.
Apesar de ser sueco “Män som hatar kvinnor” é definitivamente um grande filme. Atrevo-me a diver que chega a ser tão mítico como o “Silêncio dos Inocentes”, o “Figth Club”, o “Irreversivel”, “Taxi Driver”, and so on.
Infelizmente não sou crítico de cinema, nem percebo nada de técnicas cinematográficas, por isso minha opinião é o que é, de mero consumidor. E como consumidor, satisfiz-me com o ambiente cinzento, negro e violento do filme.
Por isso não o perca, num torrent mais perto de si.
Outro filme que aconselho a ver, é o “Trust”. Um filme normal, com uma mensagem repetitiva, que nunca é de mais repetir. Mas o que verdadeiramente gostei nele foi o retracto bem elaborado do processo psicológico emocional (negação) da rapariga (vitima). Vale a pena ver como este se pode processar.

Por último, para quem anda fudido da vida (como eu), para quem anda fudido com a crise (como eu), para quem começa a ter raiva por ter nascido na merda desta mentalidade provinciana, egoísta, invejosa, cusca, beata, interesseira, portuguesa, em que cada qual tem o seu quintal e ninguém dá nada a ninguém; fica aqui um pouco de empowerment de TEDxYouthBraga com Miguel Gonçalves.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Faz um frio do caralho

Antes de mais queria-me agradecer a mim próprio e à minha namorada. Os únicos que votaram na sondagem “favas com chouriço”. Pelo menos já não estou forever alone, haja alguém que me contrarie.
Sendo assim, nem vale a pena fazer uma sondagem de quem gosta de sushi. Ainda pensei em fazer uma de quem gosta do frio, mas é melhor estar quieto.
Passei por aqui só para dizer que faz um frio do caralho. Daquele género de grizo que te griza os tintins (ou as maminhas) e que nos desperta a vontade (pelo menos a mim) de gritar P*** Q** P****. É que passo a porra do dia todo cheio de frio e ainda por cima, nesta contenção de custos, ninguém abre a porra do aquecimento. Finalmente, desde os meus tempos de criança, vi-me obrigado a usar ceroulas. Ceroulas! Devo estar a ficar velho!
Mas, engane-se quem pensa que é porque este ano faz mais frio. Não me venham cá com essa conversa do: “ah, este ano acho que faz mais frio e tal”. Não, não se passa nada disso. Todos os anos é sempre a mesma coisa, faz sempre um frio do camano. Infelizmente, este ano ando menos de carro. E no vai vem do cá para lá, e do lá para cá vou apanhando com as corrente gélidas e passo os dias a tremer em convulsões elétricas.
Bem, mas se o calor me faz sentir morno de monotonia, ao menos o frio faz-me sentir vivo de agonia.
Por isso, deixo-vos com Vivaldi - Four Seasons (Winter). Simplesmente espetacular.


P.S.: Criei um blog meio porc... desculpem, erótico. Passem por lá. http://rascunhosdalibido.blogspot.com/

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Faz-me favas com chouriço...

People, ando triste… Vocês pensam: “mas que está para aqui este gajo a dizer?! Isso já nós sabemos quando lemos os teus textos de cortar pulsos”. 

Não… não é nada disso. Eu não sou os meus textos, eles são só uma parte de mim. Eu escrevo um pouco dark porque gosto de chafurdar um pouco na guinha, para depois subir à realidade e esta me cheirar menos mal.

E vocês pensam: “mas isso é negativo na mesma”. E Eu respondo: “pois… ah…”. Não interessa… o facto é que eu estou triste, isto porque constatei que ninguém gosta de favas com chouriço. Pois é! Pois é! Estupefactos?... Não?... Exactamente, o problema é mesmo esse. Não tenho ninguém com quem partilhar o meu gosto por este prato. A não ser a minha mãe, mas ela gosta de coisas ainda mais esquisitas, não conta. A realidade é que eu, estando num grupo, quando digo que gosto de favas com chouriço, vejo que ninguém me acompanha.

Pá, sinto-me triste, principalmente porque o pessoal nem se dá ao trabalho de provar o prato e já diz que não gosta. Não sei porquê este preconceito negativo em relação às favas. Será porque dantes se metiam duras no bolo-rei, ou porque é comida de pobre?

Por isso, decidi fazer um estudo. Um estudo de grande interesse e importância para a comunidade em geral. Ou então só para mim… Decidi colocar neste blog uma sondagem a perguntar se gostam de favas com chouriço. Quero ver se ainda existe alguém, só para não me sentir só.

 Vá lá… não custa nada. Aposto que era pior se as tivessem de provar. Por isso, já sabem…

Entretanto deixo-vos com o grande clássico do rei do rock português “Favas com chouriço”. Oh… Desculpem… quero dizer “A pouco e pouco”.

Nota: Reparem só na expressão da gaja do vídeo clip. Género: “quero fugir daqui…” ou “mas que raio estou aqui a fazer?...”.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Bidé







Banheira, lavatório, sanita, bidé??? Meu Deus o que é isso? Esclarecam-me! Algum pastel feito pela prestigiada pastelaria francesa? Não entendo, por diversas vezes dei comigo em variadíssimas casas de banho a olhar para essa mesma peça e a pensar que tipo de pessoa será aquela que o inventou. Com que propósito? Será apenas algo, tipo um jarro, concebido para a nossa esposa colocar dois dias depois do aniversário do nosso casamento o ramo de flores em água? Para na semana que antecede o Natal, com a numerosa família, deixarmos o bacalhau a demolhar? Para servir como uma espécie de sanita improvisada em situações de emergência, quando a bexiga da nossa esposa deveria mas não aguenta mais e irrompe pelo WC dentro aquando do nosso momento de descontraçao? Alguns deles até confundem facilmente, quando empresas que os criam se lembram de colocar tampinhas de tão forma idênticas às de uma sanita... Um gajo fica baralhado... Qual a lógica de pensarem que alguém só se lavaria nas partes íntimas antes de ir para a cama ou ao levantar sem que o resto também ficasse limpo e cheiroso? Quem? Pergunto-vos eu. É a mesma coisa que para fazerem uma sopa de alho francês, simplesmente lavassem o nabo e não lavassem a rama... Enfim, após várias consultas no psicólogo, prestes a seguir com a vida pacata que tinha anterioremente a me ter deparado com o primeiro bidé, pensando eu que o trauma seria passado, quando me deparo com uma casa de banho ainda mais assustadora... Agora para além do bidé não é que também se lembraram de colocar suportes aquecidos para toalhas? Meu Deus, que que tanto digo Teu nome em vão... Que combinação! Quer dizer, usamos o bidé para plantar cebolas e de seguida quando prontas a colher, colocamos no suporte penduradas, esperando que na próxima ida a casa dos sogros, na aldeia, eles nos presenteiem com uma dúzia de chouriços caseiros e um presunto, ficando assim o quadro do suporte de enchidos preenchido e esperando que com o tempo o vapor da água dos banhos faça o idêntido a um fumadouro... E (F)esta, hein?

Queda "livre"

Num desiquilíbrio da alma, num salto para o abismo escuro e frio da incerteza, num lampejo de irracionalidade... É quando nos deixamos cair para o lado ruim do amor, o de dentro. Aquele que não tem porta de saída. Apenas a morte, do todo ou da parte, te pode resgatar das amarras tristes e duras da realidade ilusória de quem ama. Não existe lógica, não existe motivo, não existe sequer necessidade que o procuremos. E, ainda assim, é sorrisos que vês no rosto de quem sofre da entrega e lágrimas nos rostos de quem é livre de tamanha façanha. É quem de dentro te fala e te pede que te protejas, quanto puderes, desta provação incomensuravelmente recompensadora de quem dá e pouco recebe. Não digo que fujas, porque serias perseguido. Apenas que te resguardes, que te refugies nas ruas vadias e te percas nas relações sem sentido, que não te entregues, que não tentes, que não dês. Enquanto puderes, apenas recebe, sente, sê. Depois dirás que não era nada disso que querias. Mas ambos saberemos que o sofrimento que te faz feliz, também é aquele que te matará.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Contínuo mo(vi)mento

Quanto tempo já passou?... Segundos, horas, dias, semanas, meses, anos?... Milénios?... Vive num constante ciclo de repetitivas mudanças. Agora, eternamente entediado observa o mundo a copiar-se, época atrás de época. Passado, presente e futuro misturam-se em memórias cruzadas. 
 
Por isso, o longo e distante futuro passou-se ainda agora. O distante e longo passado passou-se ainda há pouco. E, foi mesmo agora que a Coisa se aproximou dele, sorrateiramente e sossegadamente, a sugerir-lhe a eternidade. Tão simples, tão banal, como oferecer um doce a uma criança, irrecusável para um pobre velho, acabado como ele.
– Viverás para sempre. – Disse-lhe Ela. – Poderás experimentar tudo na vida, sem medos e restrições. Mas, a partir do momento que te fartares, guardarei a tua alma. – Quem é que com liberdade para viver eternamente se cansará da vida? - Pensou ingenuamente. E ingénuo, aceitou o logro da proposta.

A partir daí provou todos os tipos de prazer. Mais tarde, percebeu que podia deixar de direcionar os instintos básicos, para a concretização intelectual. Já não precisava de se preocupar em sobreviver e aos poucos, afundou-se no prazer carnal.
Passou do normal para o fetiche, do fetichismo para o sadismo e masoquismo, do sadismo e masoquismo para morbidez. Cada forma de prazer foi-se desvanecendo e a repetição do seu clímax foi-se tornando vulgar. É como fumar 40 cigarros por dia, fuma-se só porque se fuma, sem se tirar nada disso. É como comer 100 chocolates até vomitar enjoado.

Pouco lhe falta agora para a sociopatia e psiquismo. A dor é prazer, o prazer é dor.
Agora, cansado… aguarda… antes de se dissipar na loucura. Sentado no meio do campo aberto, aquece-se nas alaranjadas brasas. A noite vai-se prolongando, projetando e se desenrolando ao seu redor. E ele, sem prestar atenção continua… esperando… A Coisa sabe, já o sabia antes. Por isso, há de aparecer sem ser chamada, pois já o é em seu desejo.

 Uma brisa levanta levemente o fogo e ele ouve atrás de si o Seu suave sussurrar.
– Então?... É tempo. – Diz-lhe.

– Já é mais que tempo. – Responde despreocupado.
A Coisa aproxima-se e pousa a mão no seu ombro. – Não doerá.

– Que importa?... – Aos poucos foi-se sentindo sonolento. Enquanto olhava para o céu, o dia iniciava o seu despertar. O sol erguia-se no horizonte pintando em tons violeta as brancas e leves nuvens. O azul clareava, abrindo as cortinas para o horizonte mágico. O espanto voltou-lhe a bombear no peito, e antes de adormecer falou. – Pára… pára o momento… imobiliza o tempo.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

MoreThan 100Words

OK pessoal… Alguém me pode dizer se o MoreThan 100Words é algum novo culto religioso? É que, sinceramente, não consigo entender. Sempre que entro no Facebook aparecem-me dezenas de actualizações desta coisa, e por vezes dezenas, de uma única só  pessoa.

Primeiro, já não bastava aquele pessoal que actualiza o estado durante 24horas ao dia: “Arrotei agora, posta isto se gostas”, “Amo a vida, posta se sentes o mesmo”.
Tipo!...
Já não me bastava a publicidade durante meia hora na televisão, os mil e um panfletos que me enfiam na caixa de correio, a Meo e a Zon sempre a bater à porta, a Sumol a dizer: “se não beberes Sumol um dia vais pensar que sair à noite é ir pôr o lixo na rua”; já não me bastava a igreja católica, a ortodoxa e a anglicana dizerem para não fazer sexo antes do casamento nem usar preservativo, ainda tenho que levar com dezenas de imagens da MoreTham 100Words. Com frases pirosas, lamechas e idealistas que pretendem ter a pretensão de verdades absolutas. Género: “Segue os teus sonhos, não o que as pessoas dizem”. Eheh… Adoro contra censos...
A ideia até está porreira, para quem gosta destas piquices. Está original e criativa. Mas, por favor. Não passem 24 horas, mais mil e uma vezes, a clicar gosto no raio das fotos. É que depois, aparece mil e uma vezes no meu feed de notícias algo que eu nem aprecio, que acho banal, foleiro e piroso, como a publicidade da Optimos, TMN, ou Vodafone. E se dantes já não gostava, de repente, passo a detestar.
Por isso pessoal, se querem criar um novo culto religioso, não o façam em minha casa, e por favor não me venham cantar à porta todos os dias.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Um dos meus raros momentos a pensar em política.

Alguém disse: “podemos pensar numa política sem ética, mas nunca numa ética sem uma política.”
Ora aqui está uma interessante afirmação, mas antes de a poder comentar, penso que o melhor será tentar esclarecer do que trata a ética e do que trata a politica.
Em relação à ética, vou utilizar a definição de Fernando Savater: a ética ocupa-se de administração que cada qual faz da sua vida, para seu próprio bem.
No início, esta afirmação pareceu-me um pouco seca e insuficiente. Mas, mais tarde percebi porque Savater não especifica o que é o mal e o que é o bem, ou porque não acrescenta que a ética se ocupa da administração “justa” que cada qual faz da sua vida.
Porque o justo e o injusto, o bem ou o mal, dependem do foro individual de cada um. O mais importante é que ao definir o que é o mal e o que é o bem, estaria a delimitar o crescimento individual do sujeito. A ética não se ocupa em definir no geral quais as escolhas boas. Pois assim sendo cairíamos no determinismo, na recusa da responsabilidade e no fim da liberdade. Por isso, a ética só se ocupa em definir o bem individual.
Aqui entra a política. Ora, como o bem individual pode variar de sujeito para sujeito, a política trata de definir o bem comum. Implementa-o em códigos e leis, para que escolhas éticas não entrem em conflito. Mesmo assim, a política não decide o que é o mal e o que é o bem ético, apenas o organiza conforme as necessidades sociais.
Por isso a ética não pode existir sem política, pois sem esta seria o caos.

Estranhamente, pensar numa política sem ética já é possível, pois a politica parte de objectivos mais colectivos do que individuais. Pode muito bem utilizar métodos não éticos individualmente, para chegar a resultados bons para o colectivo. Por exemplo, obrigar os cidadãos a ir à guerra, autorizar a pena de morte, e por ai fora. Estes são exemplos que variam eticamente de pessoa para pessoa.

Infelizmente estas não são as únicas definições de ética e de política. Muitos outros pensadores apresentam outras ideias para a dualidade entre ética e politica. Alguns encaram a ética como conduta boa e afirmam que política não deve existir sem ela. Esta também parece ser a definição geral que as pessoas dão a ética. Mas cuidado com esta definição, pois o bem, como já disse, é subjectivo. E a política não consegue ser sempre subjectiva, mas consegue ser sempre objectiva.

Concluindo, depois de reflectir e “dar uns nós cerebrais” a pensar em ética, penso que o ideal seria dizer, não que devemos pensar uma política com ética, mas sim numa política humanista. Sendo assim, segundo as minhas definições, os nossos políticos realmente parecem ter muita ética, mas muito pouca humanidade.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Danos colaterais

Este está optimista,
Este foi ao pântano,
Este olha para baixo,
O pequeno foi para casa,
Este ficou incerto.
Cheiros se revoltam ao longo do meu… de mim. Paro, não vejo. O cinzento encobre. Tudo é o mesmo. Só uma rua cheira de dejectos.
Sombras colam-se aos prédios, nos seus muros, nas suas portas, nos seus passeios. Confundem-se. Confundem-me. Iludem-se que não estão. Fingimos que não são.
À parte de algo à parte.
Piso em merda, cheiro a merda, enjoa-me a urina que escorre para o esgoto. Ao lado comem, ao lado… sofrem, ao lado morrem…
A podridão cresce e apodrece, e eu esqueço. Lavo-me, perfumo-me, distraio-me, a urina está cá, só não me cheiro.
Este está optimista,
Este foi ao pântano,
Este olha para baixo,
O pequeno foi para casa,
Este, encosta-se a um beco…


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Ruído

Em momentos de nenhum descarrego a monotonia e cansaço praticando o nada. Esses momentos começam com a minha chegada a casa, mortinho por me sentar no fundo e acolhedor sofá.

Normalmente a luz florescente está gasta e preenche a sala com uma penumbra baça. Ligo a televisão e passo a rasgar pela multi-apelativa publicidade dos canais generalistas. Esfregam-me irritantemente a felicidade no focinho e tentam-me emocionar com reflexões profundas, que objectivam querer-me fazer erguer o seu produto como uma bandeira.

Passo pelo novo método publicitário que utiliza humoristas conhecidos, insiro-me pelos noticiários e pelo humor irónico e sarcástico da política. Um pouco de crise aqui, um pouco de crise acolá, um pouco de crise acolá-cá e já me parto a rir com a insustentabilidade e irrealidade do gozo.
Sentado no sofá percorro em zapping reality shows, mamas e cús, Dr. Phil, Oprah, Querido Mudei a Casa, Tyra, Masterchef, Biggest Loser, CSI Miami, Las Vegas e Nova York, encho-me com os adolescentes vazios da MTV, passo pelas leis da natureza do Nacional Geografic e termino novamente numa publicidade de tampões da RTP 1.
Foi uma boa prática do nada, que em nada me satisfez. Sendo assim, levanto-me do meu amolgado lugar no sofá e passo para o meu amolgado lugar na secretária. Desligo a TV e ligo o PC. Passo do zapping para o scrolling e mergulho no facebook.
Da publicidade impessoal e industrial passo para a publicidade pessoal e caseira. Scrolo lentamente à procura de alguma informação, mas as vidas repetem-se umas a seguir às outras. Os comentários, ou se tornam demasiado pessoais, ou demasiado fictícios e não consigo escolher que vidas ver. Cusco aqui, cusco ali e culpo-me por me estar a tornar como as vizinhas cuscas que detestava.
É tanta informação a aparecer no facebook, actualizações de estado, fotografias, vídeos, músicas, likes, grupos, partilhas, aquisição de amigos, mais carradas e carradas de comentários que não interessam para nada, que se torna tudo ruído. Uma estática constante, formada por milhares de pontos de informação.
Sigo adiante num hipnotizante scrolling. Procuro desvendar algo interessante, mas depressa me canso e perco o interesse nos pensamentos das vidas das vidas alheias. É demasiado ruído para os meus olhos.
Cansado desligo o PC. Saio para a varanda e olho a noite já chegada. Acendo um cigarro… pensativo… e fico a ouvir a chuva a cair. Finalmente… um ruído que me agrada.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Só mais um ponto de vista

Sei que ainda não é Natal, mas o Esgoto de Ideias quer-se antecipar ao Continente, Pingo Doce e Shoppings. E como sinto o cheiro a chuva, a nevoeiro e a lareira acesa, aqui fica o meu voto de boa mudança de paradigmas. ;)

http://www.truca.pt/imagens_material/cartao_natal/natal.html

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Explorar o Inconsciente - A palavra do Centro


(Parece parvo, mas vale a pena.)

Este exercício utiliza pistas a partir de palavras contidas na mente consciente como forma de alcançar o material guardado no inconsciente. Escreve oito palavras no topo de uma folha de papel - podem ser quaisquer palavras, mas não devem formar uma frase. Em seguida, escreve outras oito palavras no fundo da página. Regressa ao topo e pensa numa palavra que ligue de algum modo as duas primeiras palavras escritas no papel. Se essas palavras forem <<árvore>> e <<lama>>, por exemplo, poderás escolher <<raiz>> como palavra de ligação. Passa para as duas palavras seguintes e continua a estabelecer ligações, trabalhando fila a fila, alternadamente, a partir do topo e do fundo da página. A certa altura, acabarás por descobrir uma palavra situada ao centro (ver diagrama). Que significado tem para ti essa palavra central ? Passa algum tempo a considerar essa palavra - será importante!?


http://www.di.ubi.pt/~paraujo/Curiosidades/ConscienteInconsciente.htm

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Muros


Eles nunca quiseram construir aqueles muros que os cercam,
Muros que os apertam.
Aos poucos foram-nos deixando entrar,
Sem proteger aquele lugar.

Porque nós sabemos,
E não queremos,
Calar,
Não magoar.

Nós queremos e não sabemos,
E não queremos nunca entender,
Que ali dentro eles são menos que nós mesmos,
São só aquele defeito,
São alguém p’ra mudar.


Nós nunca quisemos construir estes muros que nos cercam,
Muros que nos apertam.
Aos poucos fomo-los deixando entrar,
Sem proteger este lugar.

Porque há quem queira,
E há quem não saiba,
Calar,
Não magoar.

Há quem queira e quem não entenda,
E quem não queira nunca saber,
Que aqui dentro somos mais que nós mesmos,
Somos mais que este defeito.
Somos alguém p’ra amar.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

LAMIA

 

Lamia

LAMIA Devaneio da mente do artista…LAMIA A incerteza de conseguir rumo gerando a fé de remar no marasmo que pode ser a criação…LAMIA Antídoto da maleita de um passado mal escrito…LAMIA Em choque com o imaginário…LAMIA Com certeza o discurso da vitória sobre a pressão de sermos quem somos…LAMIA

http://www.facebook.com/pages/LAMIA/212704082115127#!/pages/LAMIA/212704082115127

Uma tardia, Gratidão ao Mário.

 

Antes de mais, e nas palavras de um Português que mais valia ter lavrado mesmo com os cornos contra um carro preto em vez de ficar rico a fazer publicidade para uma rede de distribuição de TV, O “novo” acordo Ortográfico é uma cena que me assiste… Porquê logo tu que és contra isso??? perguntam vocês… Porque se até então não sabia como se escreve, agora, não faço a puta da ideia como se faz!!!

De Seguida passo a agradecer ao Meu Amigo Mário que esse sim não deixa de me surpreender. Vai-nos enchendo as vistinhas o coração e as vezes a cabeça com  os seus valiosos, grandiosos, textos que se enquadram perfeitamente no registo deste BrilhanteLog que não quer mais que transmitir os que nos vai na mona.

Assim O meu, o nosso, o dos leitores(e quem não concordar tem mau gosto)

Voto de Gratidão ao Mário

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Career Tips

Miguel - Prós e Contras (20-06-2011)


Tenho dito isto vezes sem conta. Escondermo-nos atrás do CV construído no formato Europass, que é incompleto, impreciso e sinal de inércia, não tira ninguém do marasmo. É preciso "bater punho", ser criativo na forma como apresentamos a quem pode apostar em nós que somos diferentes, que nos destacamos dos outros. Para isso, podemos utilizar um sem número de técnicas de marketing, mas podemos começar pelo mais simples: o CV.


Se quiserem saber mais, vejam o vídeo ou falem comigo. ;)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O que é que justifica a violência?

Violência gratuita, espontânea, apreciada, exposta e difundida. Este é caso da “jovem espancada em Lisboa”. Estranho, mas não tão estranho.
Porquê? Primeiro, porque para mim a violência é sempre incómoda. Faz-me sentir nauseado, acelerado, alerta. Imagino a dor do agredido, transfiro-a para mim revendo-a novamente na pessoa, e sinto-me mal, podre.
Segundo, actos como este sempre aconteceram. Quantas vezes já vi porradas e espancamentos piores. A quantos amigos meus já não aconteceu isto e com muita sorte não me aconteceram a mim. Pelo menos nada de grave. Na minha escola era o “pão-nosso do dia-a-dia”. Agora, a única coisa nova nesta violência é a sua exposição nas redes sociais.
Mas, não é sobre isto que quero falar. Quero é falar numa questão que me surgiu ao ver um comentário de uma psicóloga na SIC, e sobre um comentário de uma colega das agressoras.
Obviamente que nos noticiários e na televisão tinham que colocar pessoas a discutir o caso. A dar de seu parecer, a rotular os agressores de malucos, “geração rasca”, jovens sem valores. A julga-los, para todos ficarmos mais aliviados e com o sentido de justiça preenchido. Foi neste campo que apareceu a psicóloga, a tentar fugir deste normal pensamento humano de popular linchamento. Dizendo que não estava ali para julgar ninguém, que os jovens que agrediram também são humanos.
 Infelizmente, ao se tentar desviar do julgamento e demonstrar imparcialidade cometeu o erro de não se exprimir correctamente. Principalmente quando disse que, ao ver as mensagens dos agressores e dos colegas no Facebook compreendia o propósito da sua agressão. Isto, aos olhos de quem não sabe ler nas entrelinhas e não entende que compreensão é diferente de aceitação, não vai parecer nada bem.
Outro ponto, ainda mais engraçado, que me fez relembrar desta história toda, é o seguinte. Hoje ao ver o telejornal, uma das colegas das agressoras afirmava: “elas agrediram porque ela chamou nomes e insultou a mãe de uma e porque traiu “não sei quem””. Foi aqui que me deu um flash nos neurónios.
É isto justificação para bater e agredir? Afinal, até que ponto se pode justificar a violência? É a simples humilhação por palavras razão para responder com punhos e estaladas? É porque se for, daqui a pouco mais vale pegar numa arma e matar quem que chateia, ou simplesmente tortura-lo, humilha-lo e domina-lo, realçando o meu poder sobre ele.
Até certo ponto eu compreendo, mas não aceito. Nunca aceitarei justificação alguma para a violência, só em defesa da integridade física que ponha em risco, ou não, a própria vida. Nada justifica a violência, nada! Mas, e se…?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Um ser fútil

Existe uma coisa que me incomoda, me põe os miolos a ferver e o sangue a girar. Essa coisa é a futilidade. O fútil.
Não, não são as pessoas fúteis, nem os assuntos fúteis que me metem repulsa, ou nojo, ou raiva. O que me chateia é definição da palavra fútil e o conceito de “pessoa fútil”.
Vejamos, segundo o Dicionário Universal da Texto Editora de 2002, fútil é um adjectivo que deriva do latim “futile” e significa frívolo, vão ou leviano. Até aqui nada de mais.
Ora, indo ver ao Dicionário de Portugues-Latim da Porto editora de 2001, já se consegue acrescentar mais alguma coisa: “Futile (futilis) adv. Inutilmente, em vão”; “Futilis, e (fundo) adj. 1. que deixa escapar o que contém, que não retém, que não guarda; 2. frágil; 3. vão, frívolo, fútil, sem autoridade”.
Mas, por mais que eu procure no dicionário, não encontrarei lá o conceito de “pessoa fútil”. Sendo assim, juntando os significados anteriores e reflectindo nos contextos em que a expressão é utilizada, diria que “pessoa fútil” é: sujeito que se ocupa com inutilidades e as sobrevaloriza; que não analisa a profundidade dos assuntos que o rodeiam limitando-se ao superficial; por isso, é frequente cometer erros de análise precipitados.
Penso que esta é uma definição aceitável. Uma definição que consigo aplicar a algumas pessoas. Infelizmente e habitualmente, quando aplicada esta expressão em contexto usual, esta vem carregada com uma conotação negativa, estereotipada e preconceituosa. Ou seja, quando determinado assunto, ou modo de viver, é para nós fútil ou inútil, rotulamos determinado sujeito de fútil. Quase como se ele fosse burro, como se a sua alma fosse oca.
E é isto que me incomoda. Esta definição corriqueira de “fútil”, a capacidade indiscriminada de considerar alguém fútil. E eu questiono-me, existirá mesmo alguém fútil?
O que é inútil para mim é de extrema importância para outro, e vice-versa. O bom, mau, bonito, feio, útil ou inútil são conceitos subjectivos, dependem individualmente de sujeito para sujeito. São quase como conceitos “indiscutíveis”.
Sendo assim, continuo a perguntar, haverá mesmo alguém fútil, oco, sem profundidade de mente e alma? Quem é que gosta de ser chamado de fútil? Alguém se quer considerar assim?
Acho que um ser humano é complexo de mais para poder ser considerado de fútil. Talvez classifiquemos alguém assim, devido à nossa incapacidade de entender e compreender verdadeiramente o outro. Temos que ver que “cada cabeça um mundo”, ou “uma cabeça milhares de mundos”.
Por isso, é preciso ter cuidado quando classificamos alguém de fútil. Esta pode ter como base uma análise precipitada e superficial do sujeito que está à nossa frente. E isso sim, isso seria verdadeiramente uma análise fútil.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

AnaLógica


fotografia cedida por Ana Lógica
 edição de Ana Lógica

É estranho o mundo que me surge em frente. Mas, mais estranha é a lógica por detrás da lente. Uma verdade abstracta envolve os dois. Concentro-me, lá, ali, bem no fundo de mim mesma, e imprimo a realidade que me cerca. Acaricio-a gentilmente.

Tacteio a sua superfície, absorvo lentamente a sua irregular regularidade, inalo a subtilidade do seu odor e provo o seu agridoce paladar. Foco-a atentamente, aspiro a sua alma.
E é nesse lugar desconhecido, distante e incompreensível. É nesse oculto laboratório vermelho de mim mesma, que, movimento a movimento o tempo se vai desvanecendo. Fundo-me com a essência que absorvi e fluo num fluxo fluido de conexões. Transformo-a, transfiguro-a, junto-lhe um pouco de mim e ela dá-me um pouco de si. Somos as duas mais um pouco, sem nunca deixarmos de nos ser.
Agora, a Analógica máquina projecta-a, projectando-me, progressivamente e instantaneamente num flash.
texpo de Mário Silva 



domingo, 26 de junho de 2011

Os Ossos do Arco-íris

"Deixo aqui um enxerto de um grande senhor do fantástico e do horror: David Soares; embora esta parte me tenha fascinado, não devido à fantasia, mas devido à crua, irónica e sarcástica descrição, do real."

Marisa aguardava pelo autocarro. Não estudava em Usina dos Limoeiros. Os pais deixaram a casa de Loures quando faliu a empresa onde Césio era empregado. Barbara não trabalhava e as poupanças do casal não permitiam a permanência na casa grande que alugavam nas traseiras da Junta de Freguesia. Mudaram-se para o local mais barato que encontraram no catálogo imobiliário: Usina dos Limoeiros.
O homem era camionista e a empresa para a qual trabalhou durante onze anos, a Transales, enviava-o regularmente para Itália e para Inglaterra. A companhia não teve hipótese de competir com as suas rivais mais ricas e os investimentos aplicados na modernização dos equipamentos foram um golpe irrecuperável no seu capital. Fecharam. Alguns camionistas conseguiram colocar-se em outras companhias; umas melhores, outras piores. Césio foi contratado por uma das últimas.
Tinha jeito para aprender línguas e falava muito bem o italiano e o inglês. O que mais gostara de ver em Inglaterra foram os corvos que procuravam nas estradas objectos caídos dos carros. Eram como os pombos de Lisboa, pensou, mas mais barulhentos; não tinham medo nenhum. Nunca viu corvos tão grandes na estrada que subia de Southampom para Birmingham. O verde inglês lembrava-lhe a vegetação invernal de Bucelas; o mesmo tom verde-escuro, quase preto sob o céu de chumbo.
A Itália era mais luminosa, mais suja. Visitou Veneza e imaginou que os seus cidadãos viviam sobre um esgoto: a cidade fedia! Não gostou muito de Itália. As italianas eram mais bonitas que as inglesas, contudo.
Nunca enganou a mulher; a não ser que se considere traição passar umas horas na companhia de uma prostituta num bar dalterne, a duzentos metros da auto-estrada, uma noite ou outra. Não era. Era apenas foder; como se saltasse do camião para urinar. Normalmente ausentava-se durante meses; tinha de foder alguém, algures.
A primeira vez que Barbata chupou o pénis do amante engoliu o esperma; algo que nunca fizera com o seu marido. Sentiu-se ousada. E agoniada. Pensou que ia vomitar, mas o enjoo desapareceu depressa, deixando-lhe um sabor a manteiga salgada na boca, como se tivesse comido a pior torrada da sua vida. Que mais havia para fazer sozinha em casa? A filha estava na escola a fingir que estudava e o marido estava a viajar a fingir que trabalhava e ela estava a aborrecer-se a fingir que vivia. Por isso trajava o seu melhor vestido, o mesmo que levava à missa aos domingos, e aguardava que o amante a agarrasse com as suas mãos grandes e a levasse para a cama. Não era trair – amava Césio de uma forma doméstica e previsível –, era apenas foder. Normalmente o seu marido ausentava-se durante meses. Tinha de foder alguém, algum dia.
David Soares, em “Os Ossos do Arco-íris”
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