terça-feira, 17 de abril de 2012

Para ti,

Para ti,
A quem nunca mais disse nada,
Perdoa-me
Ter virado costas,
Seguir centrado um outro trilho.
Sou assim, desculpa…
Parece que não me importo,
Parece que me esqueço.
Garanto-te, só pareço.

Lembras-te?
Risos e sorrisos.
Abraços fortes e precisos.
Comunicação abstracta, telepática.
E o olhar,
Repouso de desabafos imprecisos.

Tu,
Como quem diz eu,
Oleador do ego.
Sempre serás mais do que uma emoção.

Para ti,
Sensibilidade que me inflamas,
A quem nunca mais disse nada.
Quando um dia, por acaso, te vir,
Reconhecer-te-ei,
E um simples olá de direi.

Até lá, aqui, comigo,
Intimo Amigo.


A Subjectividade do Síndrome de Peter Pan


A criança que existe em mim, quase sempre, domina o adulto que sou.
Manipula-o.
Por causa disso não socializo, não saio, não me divirto.
Quando isso acontece, ela birra e desespera.
E, quando todos os adultos se encontram no formalismo de conversas intelectuais, ausentes de sentido pessoal algum, logo fico com uma incrível pressão cerebral, que me faz peidar verbalmente.
Arroto um vocábulo estranho pela goela.
Ou será pelo rabo?...
Franzem os adultos as orelhas, fazem moucos narizes.
Piadas… Piadas… Estupidas e despropositadas. Gargalham só na minha mente.
Ninguém alcança o adulto subentendido nelas.
Crianças preocupadas de mais com a sua adultez, com a formalidade de comportamento adequado moralmente.
E, isso é a reacção às minhas graças, porque a reacção a comentários sérios é de um nível muito mais evoluído de eloquência. Desde respostas do género “sim porque sim” e “não porque não”, até aos braços de ferro emocionais de melhor argumento.
Fico ainda mais criança, perplexo perante este enredo.
Crianças, a brincar à razão.
O meu adulto finge que não entende…


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ectoparasita hematófago


O medo é uma carraça que se gruda à pele e me chupa.
Infecta-me com ideias
Parasitas. 

Febres, suores frios, fraqueza, delírios.
Arritmias compassadas,
Artrite e dores inchadas.
Absorve o raciocínio,
Descontrola o instinto. 

Incha guloso e ávido, o carrapato.
Caio árido, por terra fatigado.
Como é que uma coisa tão pequena,
Se apodera assim do sistema.
O espirito lato, crente,
Desilude-se por ver a carne em rente. 

Carraça maldita, feia, troglodita!
Absorves a ilusória arrogância com que vivo,
E mirro. 

Esperança! Esperança!
AHAHAHAHAH!
Um resto de loucura alcançada. 

Procurar, procurar, sobreviver, encontrar-te,
Naquela fissura escura da minha pele.
Pegar numa pinça,
Bicha esquisita, verto-te agora álcool em cima,
Arranco-te, corto-te,
Queimo-te a cabeça,
Agarrada à zona endémica. 

Depois…
Uns paracetamóis, antibióticos e mais uns sais.
Para não pensar, em paraideias. 

Da próxima vez que me saltares em cima, bicho,
O sistema imunológico vai-te reconhecer,
E eu não sofrerei mais, desses teus beijos mortais.
Estarei protegido dessa tua doença vampiresca,
Pelos glóbulos loucos de nascença.



Catarse da morte


Antes que eu morra,
Põe-me um cigarro na boca. 

Não adianta, não vale a pena,
Não chores a me confortar. 

No meu corpo, não me consigo mover,
Vegetativo, trôpego.
Por isso, tens de ser tu a tirar o maço,
A pousar-me o “very-light”, aqui, no lábio.
Acende o isqueiro.

Mas primeiro tens que o montar.
No bolso esquerdo está o  “euta-” ,
No direito o “-nasia”,
Junta os dois que eu inalo… 

Relaaaaaaaaxo 

Tu sabes, tal como eu sei,
Tanatos, ai vem… 

Acompanha-me…. Fica…
Neste fumo que nos amortalha. 

Sente-o
Pela garganta
Escorregando
                        Em
                        Doce
                        Mel
Sua voz bafienta. 

É assim!
É assim que se o enfrenta.
Com uma passa de coragem laça, com um último prazer,
A catarse de morrer!


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Sobre mim


Sobre mim: cai o peso de toda uma conotação. Um estereótipo que imagino quando olho para os olhos que me fixam, que me obrigam a me fixar.
Por isso, jamais serei e saberei o Real de Mim mesmo, porque sou o que os outros pensam, confundido pelo que me levam a indagar.
E porque a Realidade se ofusca quanto mais afastadas forem as perspectivas, busco-me por detrás do olhar dos outros, nunca perdendo nunca as minhas.
Mesmo assim, tudo não passa e sempre será, uma mer(d)a estereotipia.
...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Insónia



Sete e meia da manhã.
Porra porra porra porra! Vá lá por favor vá lá por favor!
Novamente durmo mal outra vez novamente.
Doí-me o lóbulo frontal corrói-se-me o estomacal ventre.
Não estou descansado e nada me deixa descansar.
Alguém, algo, alguma coisa, faça-me parar.
Mas porque porra quando durmo, me vem sempre à cabeça, não a Vida mas o dia-a-dia?
Porque a Vida é algo muito mais lato, metafisico, abstracto.
O outro é porqu’é simples, e baseia-se no prático.
No entanto, já não sei o que penso, ou o que devia pensar, e confundo-me em sentimentos sobre o que devia raciocinar.
Revoluteio-me, na cama, constantemente me maço, com a almofada.


Entra o sol no meu quarto, destapando as cores que se escondem, e olho para o meu pálido lençol, atentamente, divagando em nada.
Na sua brancura observo um ponto, um ponto que aos poucos se insinua.
Parece-me mexer-se…
Foco-me, nele, e tento entender o que é. O que era suposto não estar cá lá, mas está…
Exalto-me de nojenta repulsa. Uma larva de mosca, gorda, castanha, asquerosa, arrasta-se como uma víscera atrofiada, enroscando-se nas suas espirais.
Meu sistema digestivo contrai-se numa dor enjoativa.
Percepciono um ligeiro formigueiro nas pernas.
Entro em pânico por imaginar o que significará e descubro-mo instantaneamente.
Confusão!, medo!, sufoco!
Compelem-se larvas pela minha pele, mexem-se em buracos na carne dos meus pés, nas minhas coxas, no abdómen, no peito.
Comem-me...
Aceleram, lentamente, a minha putrefacção.


Acordo com um espasmo.
Doí-me o estômago…
Doí-me a cabeça….
Em manhã cedo,
Ainda cansado…


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Eu, onde estás?...


Eu gostava…
Que a chuva sempre caísse assim…
Morna dentro de mim…
E afastasse esta…
Melancolia repetitiva. 

Eu gostava…
De não voltar atrás…
E caminhar para onde tu estás… 

Meu Eu fora de Mim…


quarta-feira, 21 de março de 2012

Por ti


Espero por ti,
Não te preocupes.
Estarei lá, naquele lugar
Onde o Sol raia e aquece
E a Esperança sempre se reflecte. 

Lá, ali, aqui
Neste dourado espaço,
Espero sem pressas,
Com um sorriso,
Com um abraço,
Com um riso de regozijo,
Por saber que esperas também
Este destino. 

Tu, que caminhas pela sombra,
Que por razões só tuas escolhes o vento frio da solidão.
Sabe,
Que eu nasço sempre com o Sol,
Quente, para repousares,
Para te amar sem me amares.


sábado, 3 de março de 2012

Faça-se chuva!

O meu humor flutua ao sabor do tempo.
Não percebo. Não sou eu que o domino. Não. Sou apenas um mero espectador sem forças para me impor.
Se o sol aparece sou pateticamente feliz. Se as nuvens se insinuam sou estupidamente triste.
Nem adianta lutar. Tentar impingir-me a mim mesmo alegria em céu negro e escuridão em céu aberto.
Não me governam os Deuses, ou o tolo do destino (porque não acredito em nenhum deles). Mas a madrasta da natureza domina-me. E hoje, passou o dia todo a ameaçar-me. A prometer que me daria uma porrada de chuva.
Podia cair o Carmo e a Trindade, chover sapos, bolas de gelo, meteoros, podia chover a cântaros, grossas gotas, encher tudo, molhar tuto, arrastar toda a depressão pelo esgoto abaixo.
Mas não. Nem chove nem deixa chover.
E eu aqui, com vontade da molha, da água a escorrer-me pelos cabelos, da nostalgia, do enredo, do som, do movimento, da frescura da sua cura, de ir lá fora ser lavado por dentro.
Mas hoje, o dia não esteve para ai virado. E tem andado a enconar durante meses.
Quando fica assim, eu fico como ele, sou como ele, o limiar entre o ser e o não-ser, a margem de mim, a seca.
Ele brinca com os meus sentimentos, enubla o meu pensamento, frusta todas as minhas tentativas de ser bem, alegre, solarengo, calorento, radiante, esperançoso, confiante.
E fico assim, parado, cinzento… Uma puta de merda de tempo…

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Credo do Ego


Creio no Ego,
Eu Todo-Poderoso, Criador da Vontade,
De todos os Comportamentos.
Creio em uma só Motivação, Egoísmo,
Filho Uno do Ego, nascido do Self antes de tudo o resto;
Eu do Eu, Altruísmo do Altruísmo,
Eu verdadeiro do Eu verdadeiro;
Não gerado, não criado, inerente ao Self.
Para Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, Seres, e para nossa sobrevivência surgiu,
E encarnou pelo poder da evolução
No seio da Mente, e Se fez Vontade.
Também por nós foi mascarado sob a Negação,
Padeceu e foi recalcado.
Ressuscita sempre, conforme escrito no ADN;
E sobe à Psique,
Onde se senta ao lado do Ego;
De novo há-de vir em Sua defesa, para buscar o Bem e o Mal;
Pois Seu caminho não tem fim.
Creio na Vontade Primordial,
Centelha que dá a vida, que procede do Eu e do Egoísmo;
E com o Eu e o Egoísmo é adorado e glorificado;
Ele que fala pelos Condicionalismos.
Creio nesta Vontade una, pura, universal e hereditária.
Professo um só início, para admitir que Altruísmo, é só um aspecto do Egoísmo.
E espero a ressurreição da verdade
E a compaixão que há-de vir.
Ámen.



sábado, 25 de fevereiro de 2012

Toda a gente se parece com toda a gente

Toda a gente se parece com toda a gente. Não é só o meu pensamento estereotipador a atuar, é muito mais que isso.
As pessoas estereotipam-se a si mesmas.
Facto inegável é a nossa adoção (consciente ou inconsciente) de estilos idênticos aos do grupo com o qual nos identificamos: a fala; o andar; o vestir; entre outras coisas.
Mas incomoda-me. Angustia-me o facto de eu não conseguir não estereotipar.
Sinto que, por todos quererem ser identificados com algo, e, mesmo os que não têm essa intenção inevitavelmente o serem, a minha mente é forçada a estereotipar.
Por isso, ao andar pela cidade de Lisboa olho para todas as pessoas como se apontasse o dedo classificador: pobre; rico; extremamente pobre; novo-rico; classe alta; classe baixa; trabalhador; sem-noção; porco; beto; beta; meninos da mamã; convencido; convencida; arrogante; infeliz; cansado; bem-disposto; divertido; top-model; snob; estrangeiro; indiano; italiano; africano; lisboeta; nortenho; guna (chunga); dondoca; homossexual; empresário; empresária; macho-men; empreiteiro; trolha; desconfiado; inteligente; confiante; hip-hoper; confiante; simpático; humilde; secretária; intelectual; cota; manipulador; passivo; defensivo; toxicodependente; alcoólico; VIP; azeiteiro; personagem da televisão (Chuck Norris, Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Britney Spears, Angelina Jolie, etc); e mais todos os outros estereótipos inimagináveis.
Que se passa na minha cabeça quando vagueio por estas ruas lisboetas? Que se passa enquanto circulo de autocarro em autocarro, ou me insiro de metro em metro? Como fujo a este esteriótipo mental que me faz ver o mundo em quadrados? Quem me ajuda a montá-los?
O aglomerado urbano estendesse tão largamente que cria novos grupos e aumenta os grupos já existentes. É impossível ninguém se parecer com ninguém.
Deixo-me influenciar pela dimensão, pela mensagem que as pessoas através do aspeto querem transmitir, pelo reflexo que não conseguem evitar. Rotulo. Tento ver para além das evidências, mas não consigo. A imagem barra a minha perceção ao verdadeiro ser do Ser Humano. Essa caraterística que eu não me esqueço. Que aquele à minha frente é um Humano como eu, com dramas como os meus, pensamentos idênticos aos meus, alegrias e tristezas tão fortes como as minhas.
Enfim, dou por mim idêntico aos de mais. Mais um Humano sem Ser, ou mais um Ser sem Humano? Mais um qualquer absorvido pelas repetições banais.
Por isso penso: e eu, com quem me parecerei?

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Män som hatar kvinnor - Os Homens que Odeiam as Mulheres

Para quem ainda não sabe estreou um filme fantástico, que eu ainda não vi: “Os Homens Que Odeiam as Mulheres”. Adaptado do famoso romance de Stieg Larsson, ou talvez imitação deste filme “Män som hatar kvinnor”. Este sim, realmente baseado no livro. E como podem ver, irrita-me o copy paste Americano com pretensão a artigo original, de filmes Europeus e Asiáticos.
Apesar de ser sueco “Män som hatar kvinnor” é definitivamente um grande filme. Atrevo-me a diver que chega a ser tão mítico como o “Silêncio dos Inocentes”, o “Figth Club”, o “Irreversivel”, “Taxi Driver”, and so on.
Infelizmente não sou crítico de cinema, nem percebo nada de técnicas cinematográficas, por isso minha opinião é o que é, de mero consumidor. E como consumidor, satisfiz-me com o ambiente cinzento, negro e violento do filme.
Por isso não o perca, num torrent mais perto de si.
Outro filme que aconselho a ver, é o “Trust”. Um filme normal, com uma mensagem repetitiva, que nunca é de mais repetir. Mas o que verdadeiramente gostei nele foi o retracto bem elaborado do processo psicológico emocional (negação) da rapariga (vitima). Vale a pena ver como este se pode processar.

Por último, para quem anda fudido da vida (como eu), para quem anda fudido com a crise (como eu), para quem começa a ter raiva por ter nascido na merda desta mentalidade provinciana, egoísta, invejosa, cusca, beata, interesseira, portuguesa, em que cada qual tem o seu quintal e ninguém dá nada a ninguém; fica aqui um pouco de empowerment de TEDxYouthBraga com Miguel Gonçalves.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Faz um frio do caralho

Antes de mais queria-me agradecer a mim próprio e à minha namorada. Os únicos que votaram na sondagem “favas com chouriço”. Pelo menos já não estou forever alone, haja alguém que me contrarie.
Sendo assim, nem vale a pena fazer uma sondagem de quem gosta de sushi. Ainda pensei em fazer uma de quem gosta do frio, mas é melhor estar quieto.
Passei por aqui só para dizer que faz um frio do caralho. Daquele género de grizo que te griza os tintins (ou as maminhas) e que nos desperta a vontade (pelo menos a mim) de gritar P*** Q** P****. É que passo a porra do dia todo cheio de frio e ainda por cima, nesta contenção de custos, ninguém abre a porra do aquecimento. Finalmente, desde os meus tempos de criança, vi-me obrigado a usar ceroulas. Ceroulas! Devo estar a ficar velho!
Mas, engane-se quem pensa que é porque este ano faz mais frio. Não me venham cá com essa conversa do: “ah, este ano acho que faz mais frio e tal”. Não, não se passa nada disso. Todos os anos é sempre a mesma coisa, faz sempre um frio do camano. Infelizmente, este ano ando menos de carro. E no vai vem do cá para lá, e do lá para cá vou apanhando com as corrente gélidas e passo os dias a tremer em convulsões elétricas.
Bem, mas se o calor me faz sentir morno de monotonia, ao menos o frio faz-me sentir vivo de agonia.
Por isso, deixo-vos com Vivaldi - Four Seasons (Winter). Simplesmente espetacular.


P.S.: Criei um blog meio porc... desculpem, erótico. Passem por lá. http://rascunhosdalibido.blogspot.com/

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Faz-me favas com chouriço...

People, ando triste… Vocês pensam: “mas que está para aqui este gajo a dizer?! Isso já nós sabemos quando lemos os teus textos de cortar pulsos”. 

Não… não é nada disso. Eu não sou os meus textos, eles são só uma parte de mim. Eu escrevo um pouco dark porque gosto de chafurdar um pouco na guinha, para depois subir à realidade e esta me cheirar menos mal.

E vocês pensam: “mas isso é negativo na mesma”. E Eu respondo: “pois… ah…”. Não interessa… o facto é que eu estou triste, isto porque constatei que ninguém gosta de favas com chouriço. Pois é! Pois é! Estupefactos?... Não?... Exactamente, o problema é mesmo esse. Não tenho ninguém com quem partilhar o meu gosto por este prato. A não ser a minha mãe, mas ela gosta de coisas ainda mais esquisitas, não conta. A realidade é que eu, estando num grupo, quando digo que gosto de favas com chouriço, vejo que ninguém me acompanha.

Pá, sinto-me triste, principalmente porque o pessoal nem se dá ao trabalho de provar o prato e já diz que não gosta. Não sei porquê este preconceito negativo em relação às favas. Será porque dantes se metiam duras no bolo-rei, ou porque é comida de pobre?

Por isso, decidi fazer um estudo. Um estudo de grande interesse e importância para a comunidade em geral. Ou então só para mim… Decidi colocar neste blog uma sondagem a perguntar se gostam de favas com chouriço. Quero ver se ainda existe alguém, só para não me sentir só.

 Vá lá… não custa nada. Aposto que era pior se as tivessem de provar. Por isso, já sabem…

Entretanto deixo-vos com o grande clássico do rei do rock português “Favas com chouriço”. Oh… Desculpem… quero dizer “A pouco e pouco”.

Nota: Reparem só na expressão da gaja do vídeo clip. Género: “quero fugir daqui…” ou “mas que raio estou aqui a fazer?...”.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Bidé







Banheira, lavatório, sanita, bidé??? Meu Deus o que é isso? Esclarecam-me! Algum pastel feito pela prestigiada pastelaria francesa? Não entendo, por diversas vezes dei comigo em variadíssimas casas de banho a olhar para essa mesma peça e a pensar que tipo de pessoa será aquela que o inventou. Com que propósito? Será apenas algo, tipo um jarro, concebido para a nossa esposa colocar dois dias depois do aniversário do nosso casamento o ramo de flores em água? Para na semana que antecede o Natal, com a numerosa família, deixarmos o bacalhau a demolhar? Para servir como uma espécie de sanita improvisada em situações de emergência, quando a bexiga da nossa esposa deveria mas não aguenta mais e irrompe pelo WC dentro aquando do nosso momento de descontraçao? Alguns deles até confundem facilmente, quando empresas que os criam se lembram de colocar tampinhas de tão forma idênticas às de uma sanita... Um gajo fica baralhado... Qual a lógica de pensarem que alguém só se lavaria nas partes íntimas antes de ir para a cama ou ao levantar sem que o resto também ficasse limpo e cheiroso? Quem? Pergunto-vos eu. É a mesma coisa que para fazerem uma sopa de alho francês, simplesmente lavassem o nabo e não lavassem a rama... Enfim, após várias consultas no psicólogo, prestes a seguir com a vida pacata que tinha anterioremente a me ter deparado com o primeiro bidé, pensando eu que o trauma seria passado, quando me deparo com uma casa de banho ainda mais assustadora... Agora para além do bidé não é que também se lembraram de colocar suportes aquecidos para toalhas? Meu Deus, que que tanto digo Teu nome em vão... Que combinação! Quer dizer, usamos o bidé para plantar cebolas e de seguida quando prontas a colher, colocamos no suporte penduradas, esperando que na próxima ida a casa dos sogros, na aldeia, eles nos presenteiem com uma dúzia de chouriços caseiros e um presunto, ficando assim o quadro do suporte de enchidos preenchido e esperando que com o tempo o vapor da água dos banhos faça o idêntido a um fumadouro... E (F)esta, hein?

Queda "livre"

Num desiquilíbrio da alma, num salto para o abismo escuro e frio da incerteza, num lampejo de irracionalidade... É quando nos deixamos cair para o lado ruim do amor, o de dentro. Aquele que não tem porta de saída. Apenas a morte, do todo ou da parte, te pode resgatar das amarras tristes e duras da realidade ilusória de quem ama. Não existe lógica, não existe motivo, não existe sequer necessidade que o procuremos. E, ainda assim, é sorrisos que vês no rosto de quem sofre da entrega e lágrimas nos rostos de quem é livre de tamanha façanha. É quem de dentro te fala e te pede que te protejas, quanto puderes, desta provação incomensuravelmente recompensadora de quem dá e pouco recebe. Não digo que fujas, porque serias perseguido. Apenas que te resguardes, que te refugies nas ruas vadias e te percas nas relações sem sentido, que não te entregues, que não tentes, que não dês. Enquanto puderes, apenas recebe, sente, sê. Depois dirás que não era nada disso que querias. Mas ambos saberemos que o sofrimento que te faz feliz, também é aquele que te matará.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Contínuo mo(vi)mento

Quanto tempo já passou?... Segundos, horas, dias, semanas, meses, anos?... Milénios?... Vive num constante ciclo de repetitivas mudanças. Agora, eternamente entediado observa o mundo a copiar-se, época atrás de época. Passado, presente e futuro misturam-se em memórias cruzadas. 
 
Por isso, o longo e distante futuro passou-se ainda agora. O distante e longo passado passou-se ainda há pouco. E, foi mesmo agora que a Coisa se aproximou dele, sorrateiramente e sossegadamente, a sugerir-lhe a eternidade. Tão simples, tão banal, como oferecer um doce a uma criança, irrecusável para um pobre velho, acabado como ele.
– Viverás para sempre. – Disse-lhe Ela. – Poderás experimentar tudo na vida, sem medos e restrições. Mas, a partir do momento que te fartares, guardarei a tua alma. – Quem é que com liberdade para viver eternamente se cansará da vida? - Pensou ingenuamente. E ingénuo, aceitou o logro da proposta.

A partir daí provou todos os tipos de prazer. Mais tarde, percebeu que podia deixar de direcionar os instintos básicos, para a concretização intelectual. Já não precisava de se preocupar em sobreviver e aos poucos, afundou-se no prazer carnal.
Passou do normal para o fetiche, do fetichismo para o sadismo e masoquismo, do sadismo e masoquismo para morbidez. Cada forma de prazer foi-se desvanecendo e a repetição do seu clímax foi-se tornando vulgar. É como fumar 40 cigarros por dia, fuma-se só porque se fuma, sem se tirar nada disso. É como comer 100 chocolates até vomitar enjoado.

Pouco lhe falta agora para a sociopatia e psiquismo. A dor é prazer, o prazer é dor.
Agora, cansado… aguarda… antes de se dissipar na loucura. Sentado no meio do campo aberto, aquece-se nas alaranjadas brasas. A noite vai-se prolongando, projetando e se desenrolando ao seu redor. E ele, sem prestar atenção continua… esperando… A Coisa sabe, já o sabia antes. Por isso, há de aparecer sem ser chamada, pois já o é em seu desejo.

 Uma brisa levanta levemente o fogo e ele ouve atrás de si o Seu suave sussurrar.
– Então?... É tempo. – Diz-lhe.

– Já é mais que tempo. – Responde despreocupado.
A Coisa aproxima-se e pousa a mão no seu ombro. – Não doerá.

– Que importa?... – Aos poucos foi-se sentindo sonolento. Enquanto olhava para o céu, o dia iniciava o seu despertar. O sol erguia-se no horizonte pintando em tons violeta as brancas e leves nuvens. O azul clareava, abrindo as cortinas para o horizonte mágico. O espanto voltou-lhe a bombear no peito, e antes de adormecer falou. – Pára… pára o momento… imobiliza o tempo.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

MoreThan 100Words

OK pessoal… Alguém me pode dizer se o MoreThan 100Words é algum novo culto religioso? É que, sinceramente, não consigo entender. Sempre que entro no Facebook aparecem-me dezenas de actualizações desta coisa, e por vezes dezenas, de uma única só  pessoa.

Primeiro, já não bastava aquele pessoal que actualiza o estado durante 24horas ao dia: “Arrotei agora, posta isto se gostas”, “Amo a vida, posta se sentes o mesmo”.
Tipo!...
Já não me bastava a publicidade durante meia hora na televisão, os mil e um panfletos que me enfiam na caixa de correio, a Meo e a Zon sempre a bater à porta, a Sumol a dizer: “se não beberes Sumol um dia vais pensar que sair à noite é ir pôr o lixo na rua”; já não me bastava a igreja católica, a ortodoxa e a anglicana dizerem para não fazer sexo antes do casamento nem usar preservativo, ainda tenho que levar com dezenas de imagens da MoreTham 100Words. Com frases pirosas, lamechas e idealistas que pretendem ter a pretensão de verdades absolutas. Género: “Segue os teus sonhos, não o que as pessoas dizem”. Eheh… Adoro contra censos...
A ideia até está porreira, para quem gosta destas piquices. Está original e criativa. Mas, por favor. Não passem 24 horas, mais mil e uma vezes, a clicar gosto no raio das fotos. É que depois, aparece mil e uma vezes no meu feed de notícias algo que eu nem aprecio, que acho banal, foleiro e piroso, como a publicidade da Optimos, TMN, ou Vodafone. E se dantes já não gostava, de repente, passo a detestar.
Por isso pessoal, se querem criar um novo culto religioso, não o façam em minha casa, e por favor não me venham cantar à porta todos os dias.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Um dos meus raros momentos a pensar em política.

Alguém disse: “podemos pensar numa política sem ética, mas nunca numa ética sem uma política.”
Ora aqui está uma interessante afirmação, mas antes de a poder comentar, penso que o melhor será tentar esclarecer do que trata a ética e do que trata a politica.
Em relação à ética, vou utilizar a definição de Fernando Savater: a ética ocupa-se de administração que cada qual faz da sua vida, para seu próprio bem.
No início, esta afirmação pareceu-me um pouco seca e insuficiente. Mas, mais tarde percebi porque Savater não especifica o que é o mal e o que é o bem, ou porque não acrescenta que a ética se ocupa da administração “justa” que cada qual faz da sua vida.
Porque o justo e o injusto, o bem ou o mal, dependem do foro individual de cada um. O mais importante é que ao definir o que é o mal e o que é o bem, estaria a delimitar o crescimento individual do sujeito. A ética não se ocupa em definir no geral quais as escolhas boas. Pois assim sendo cairíamos no determinismo, na recusa da responsabilidade e no fim da liberdade. Por isso, a ética só se ocupa em definir o bem individual.
Aqui entra a política. Ora, como o bem individual pode variar de sujeito para sujeito, a política trata de definir o bem comum. Implementa-o em códigos e leis, para que escolhas éticas não entrem em conflito. Mesmo assim, a política não decide o que é o mal e o que é o bem ético, apenas o organiza conforme as necessidades sociais.
Por isso a ética não pode existir sem política, pois sem esta seria o caos.

Estranhamente, pensar numa política sem ética já é possível, pois a politica parte de objectivos mais colectivos do que individuais. Pode muito bem utilizar métodos não éticos individualmente, para chegar a resultados bons para o colectivo. Por exemplo, obrigar os cidadãos a ir à guerra, autorizar a pena de morte, e por ai fora. Estes são exemplos que variam eticamente de pessoa para pessoa.

Infelizmente estas não são as únicas definições de ética e de política. Muitos outros pensadores apresentam outras ideias para a dualidade entre ética e politica. Alguns encaram a ética como conduta boa e afirmam que política não deve existir sem ela. Esta também parece ser a definição geral que as pessoas dão a ética. Mas cuidado com esta definição, pois o bem, como já disse, é subjectivo. E a política não consegue ser sempre subjectiva, mas consegue ser sempre objectiva.

Concluindo, depois de reflectir e “dar uns nós cerebrais” a pensar em ética, penso que o ideal seria dizer, não que devemos pensar uma política com ética, mas sim numa política humanista. Sendo assim, segundo as minhas definições, os nossos políticos realmente parecem ter muita ética, mas muito pouca humanidade.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Danos colaterais

Este está optimista,
Este foi ao pântano,
Este olha para baixo,
O pequeno foi para casa,
Este ficou incerto.
Cheiros se revoltam ao longo do meu… de mim. Paro, não vejo. O cinzento encobre. Tudo é o mesmo. Só uma rua cheira de dejectos.
Sombras colam-se aos prédios, nos seus muros, nas suas portas, nos seus passeios. Confundem-se. Confundem-me. Iludem-se que não estão. Fingimos que não são.
À parte de algo à parte.
Piso em merda, cheiro a merda, enjoa-me a urina que escorre para o esgoto. Ao lado comem, ao lado… sofrem, ao lado morrem…
A podridão cresce e apodrece, e eu esqueço. Lavo-me, perfumo-me, distraio-me, a urina está cá, só não me cheiro.
Este está optimista,
Este foi ao pântano,
Este olha para baixo,
O pequeno foi para casa,
Este, encosta-se a um beco…